Fortaleza, Quinta-feira, 26 Fevereiro 2026

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Confira notícias sobre inovações tecnológicas e internet, além de dicas sobre segurança e como usar melhor seu celular

  1. Viih Tube usa as redes para falar de golpe em que perdeu quase R$ 7 mil. Reprodução/Instagram A influenciadora Viih Tube contou que foi vítima de um golpe ao tentar vender um sofá pela internet nesta quarta-feira (25). Segundo a ex-BBB, o golpe aconteceu depois dela publicar o anúncio e receber contato de um suposto interessado. Segundo ela, o homem passou a se identificar como funcionário do Mercado Livre e solicitou pagamentos de taxas inexistentes para dar continuidade à negociação. Viih disse que decidiu tornar o caso público para alertar os mais de 32 milhões de seguidores que tem. Viih Tube contou também que chorou de raiva ao perceber que havia sido enganada e destacou que a plataforma não teve envolvimento no crime. “Que golpe bem feito”, disse. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Viih explicou que decidiu vender o móvel por se tratar de um item de alto valor e em bom estado. Ao todo, ela transferiu R$ 6.800 ao criminoso: primeiro, enviou R$ 600 via Pix acreditando ser uma tarifa obrigatória e, depois, mais R$ 6.200 — quantia correspondente ao preço do sofá — achando que o valor seria devolvido. Segundo a influenciadora, o golpista usou mensagens detalhadas, e-mails elaborados e até perfis com identidade visual semelhante à da empresa. A desconfiança surgiu apenas quando o banco entrou em contato para verificar as transações. Apesar do prejuízo, afirmou que ainda espera conseguir recuperar o dinheiro. Mesmo após os depósitos, o criminoso tentou continuar a ação e sugeriu que ela fizesse um empréstimo para concluir a falsa venda. Foi nesse momento que Viih percebeu o golpe.

  2. O que acontece com seus dados na internet quando você morre? Perfis em redes sociais e outros dados na internet podem permanecer disponíveis mesmo após a morte de uma pessoa, e nem sempre está claro quem pode decidir o que fazer com essas informações. Um especialista em direito digital ouvido pelo g1 explica que, após a morte, os bens e direitos ligados à vida digital da pessoa passam a compor a chamada "herança digital". Ela pode incluir contas, arquivos, redes sociais, domínios e conteúdos guardados na nuvem. 🔎 Nuvem é o nome dado a serviços externos de armazenamento de dados. Para usuários comuns, é onde ficam guardadas fotos, vídeos e documentos em plataformas como Google Drive, Dropbox e Microsoft OneDrive. Empresas também usam a nuvem para hospedar sistemas na internet, contratando a estrutura de provedores em vez de manter servidores próprios. O desafio é que ainda não existe uma lei única e específica no Brasil sobre herança digital, afirma Enrique Tello Hadad, especialista em proteção de dados da Loeser e Hadad Advogados. Na prática, isso significa que, se ninguém ficar responsável pelas informações online de uma pessoa, elas tendem a continuar disponíveis na internet. Algumas empresas já oferecem ferramentas para planejar esse destino. Talvez você não saiba, mas o Google, por exemplo, tem uma página chamada "Seu legado digital", que permite indicar pessoas para cuidar dos seus dados em caso de falecimento. Também é comum que empresas desativem contas que ficam muito tempo sem acesso. Cada companhia adota um prazo próprio para isso. Google libera recuperação de conta com selfie; veja como fazer Na ausência de uma lei para o tema, Enrique afirma que essas informações acabam sendo tratadas com base em regras gerais do direito, como as normas sobre sucessão, previstas no Código Civil, e as de proteção de dados, estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). "Hoje, já existem testamentos que indicam pessoas responsáveis por organizar a vida digital após a morte, incluindo a desativação de contas ou a definição de um possível legado digital", diz Enrique Tello Hadad. Também tramitam no Congresso Nacional projetos de lei, como o PL 4.066/2025, que propõem atualizar o Código Civil e estabelecer regras claras para o acesso a dados e a criação da figura do "inventariante digital". O que as redes permitem fazer após a morte de um usuário Instagram e TikTok Reuters No caso das redes sociais, cada plataforma adota regras próprias para lidar com contas de pessoas que morreram. Em geral, familiares podem solicitar a desativação do perfil ou a transformação da conta em um perfil "em memória" (veja abaixo quais plataformas oferecem essa opção). Instagram A plataforma permite que familiares ou pessoas próximas solicitem a transformação do perfil em "em memória". Nesses casos, a conta permanece visível, mas passa a exibir a indicação de que a pessoa morreu e deixa de aparecer em recomendações ou lembretes da rede. Para isso, é necessário preencher um formulário e enviar provas do falecimento, como a certidão de óbito (acesse aqui). Para excluir o perfil, o Instagram diz ter regras mais rígidas. Apenas familiares próximos confirmados podem fazer o pedido, e a plataforma pode exigir documentos como certidão de nascimento, certidão de óbito e comprovante de parentesco (formulário aqui). A empresa diz que o responsável por transformar uma conta "em memória" não terá acesso ao login e senha da conta. "Entrar no perfil de outra pessoa sempre viola nossas políticas", diz. Facebook O processo é semelhante ao do Instagram. É possível solicitar à Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram, que o perfil seja transformado em memorial ou removido da rede. Nos dois casos, a plataforma exige a apresentação de um comprovante de óbito, enviado por meio de um formulário (acesse aqui). X No X, também é possível solicitar a exclusão da conta de uma pessoa que morreu. O pedido deve ser feito por meio de um formulário, no qual é necessário informar nome completo, e-mail e grau de parentesco (acesse aqui). Depois disso, a plataforma envia um e-mail com orientações para a etapa seguinte. Nesse contato, o X pede o envio de uma cópia do documento de identidade do solicitante e da certidão de óbito da pessoa. A solicitação passa então por análise antes da desativação da conta. TikTok No TikTok, o primeiro passo é acessar a "Central de Ajuda" e ir em "Relatar um Problema" (acesse aqui). Depois, toque em "Acesso/segurança da conta" e selecione uma destas opções: "selecionar entre transformar a conta de uma pessoa falecida em um memorial" ou "deletar a conta de uma pessoa falecida". A plataforma pede que você preencha um formulário antes de tomar qualquer ação. Segundo o TikTok, apenas familiares da pessoa falecida podem solicitar a exclusão da conta. Google (Gmail, YouTube, Google Fotos, Drive...) O Google tem uma página chamada "Seu legado digital" que permite indicar pessoas para cuidar dos seus dados em caso de falecimento. É possível autorizar até dez pessoas a baixar os dados da conta após um período de inatividade ou determinar que ela seja excluída. O usuário define previamente quais contatos terão acesso e que tipo de ação poderão realizar. Dependendo das permissões configuradas, a pessoa indicada pode acessar conteúdos da conta ou solicitar a exclusão da Conta do Google e de serviços como Google Drive, YouTube e YouTube Music, Google Fotos, Gemini e Google Pay (veja os detalhes aqui). WhatsApp O WhatsApp, que também pertence à Meta, informou ao g1 que, por não ser uma rede social, não possui um formulário específico para comunicar o falecimento de um usuário. Ainda assim, a empresa afirma que contas no aplicativo de mensagens são apagadas após 120 dias de inatividade, ou seja, sem uso. Segundo a companhia, contatos podem ver a notificação "Perfil do WhatsApp removido automaticamente" ou a foto de perfil de um usuário removida caso a conta fique inativa (veja detalhes aqui). Por que o Moltbook, rede social das IAs, pode não ser a revolução que promete Cerco ao 'gatonet' derruba milhares de sites e apps piratas no Brasil Vídeos de alimentos e objetos falantes criados com IA inundam as redes

  3. Na coluna de terça, escrevi sobre Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins, que mostrou os riscos de imaginarmos a inteligência artificial como a panaceia para a sociedade contemporânea. No entanto, no Century Summit VI, evento realizado pela Universidade Stanford com o tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”, os defensores da IA também dispunham de bons argumentos. No painel intitulado “Enabling learning across the life course” – algo como “Viabilizando o aprendizado em todas as fases da vida” – muito se discutiu sobre um novo design para a educação, mais antenado com as demandas contemporâneas e ao alcance de todos. William Gaudelli, diretor da Faculdade de Aprendizagem ao Longo da Vida, da Georgia Tech Divulgação “O sistema de ensino já estava longe de ser perfeito. Agora precisa ser reinventado, porque até o conceito de as universidades serem instituições de aprendizado está em xeque. Ninguém pode achar que um curso com duração de quatro ou cinco anos vai servir para a vida toda”, afirmou William Gaudelli, diretor da Faculdade de Aprendizagem ao Longo da Vida da Georgia Tech, criada em 2024. Com um plano de metas para ser implementado até 2035, ele citou dados alarmantes: “três em cada quatro empregadores dizem ter dificuldades para encontrar funcionários com as habilidades necessárias. Duas em cada cinco habilidades existentes sofrerão mudanças ou estarão totalmente desatualizadas até 2030.” E como levar em conta a diversidade e os desafios de alunos espalhados pelos quatro cantos do planeta? É aí que entra a chamada ciência do design aplicada ao aprendizado, como explicou Candace Thille, diretora do centro de aceleração do aprendizado de Stanford: “Temos que estudar todos os aspectos do processo e o algoritmo da IA nos ajuda a desenvolver modelos sob medida para diferentes públicos, com demandas e contextos distintos. Se otimizarmos as ferramentas, poderemos replicar uma experiência acadêmica de qualidade em qualquer lugar do mundo. A inteligência artificial nos oferece dois caminhos: concentrar ou redistribuir poder. Meu objetivo é que a maioria tenha acesso ao que está disponível apenas para uma elite”. Carissa Little, diretora executiva do Centro de Engenharia para Educação Global e On-line da Universidade Stanford, disse que a meta é usar a tecnologia para expandir ao máximo o acesso ao conhecimento: “queremos oferecer cursos de qualidade que se adaptem às necessidades do aluno. Sabemos que a realidade virtual é uma ferramenta excepcional para o aprendizado. Com a inteligência artificial, o tempo para criar esse tipo de conteúdo diminuiu muito”. Para viabilizar projeto tão ambicioso, Gaudelli propõe uma grande frente: “o campus deve ser uma ferramenta de suporte para o estudante pelo resto da sua vida, além de estar aberto para a comunidade. Antes isso não era possível, mas agora, sim. Para termos uma sociedade de aprendizado contínuo, precisamos de uma ampla coalizão de governos, corporações e doadores”. Conselho Nacional de Educação prepara regras para o uso de inteligência artificial nas escolas

  4. Pessoa passa por painel com logomarca da Nvidia na Computex em Taiwan em junho de 2024 Ann Wang/Reuters A Nvidia projetou nesta quarta-feira (25) receita acima das previsões do mercado para o primeiro trimestre, impulsionada pelos fortes investimentos de grandes empresas de tecnologia em seus processadores de inteligência artificial. Em seu balanço financeiro, a fabricante de chips informou que espera vendas de US$ 78 bilhões no primeiro trimestre fiscal, com variação de 2% para mais ou para menos — acima da média das estimativas de analistas compiladas pela LSEG, de US$ 72,60 bilhões. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os resultados do quarto trimestre fiscal (novembro a janeiro) também ficaram acima das projeções dos analistas. No período, a receita da Nvidia cresceu 73% na comparação com o ano anterior, para US$ 68,1 bilhões, enquanto o lucro quase dobrou, para cerca de US$ 43 bilhões, ou US$ 1,76 por ação. 🚨 Investidores aguardavam os resultados da Nvidia para avaliar se as centenas de bilhões de dólares que as grandes empresas de tecnologia vêm investindo em infraestrutura de data centers estão gerando retorno. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Nesse contexto, ganhou força o debate sobre uma possível “bolha da IA” — o temor de que o entusiasmo com a tecnologia esteja inflando as ações do setor além do que os resultados efetivamente justificam. O cenário levou investidores das bolsas dos EUA a buscar sinais de demanda firme pelos chips de inteligência artificial da Nvidia, diante dos elevados investimentos anunciados por Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta, que devem somar ao menos US$ 630 bilhões em 2026. A maior parte desses recursos será destinada a data centers e processadores. Enquanto isso, empresas e governos intensificam investimentos na corrida para desenvolver tecnologias de inteligência artificial cada vez mais sofisticadas, sob o risco de ficarem para trás. No entanto, começam a surgir sinais de que a longa hegemonia da Nvidia na fabricação de chips de inteligência artificial pode estar ameaçada. A AMD deve lançar ainda este ano um novo servidor de IA de ponta e já fechou acordos com clientes importantes da Nvidia, incluindo a Meta. O Google, por sua vez, desponta como um dos principais concorrentes após fechar um acordo para fornecer à Anthropic — criadora do chatbot Claude — seus próprios chips, conhecidos como TPUs. A empresa, controlada pela Alphabet, também negocia o fornecimento desses processadores à Meta, segundo relatos da imprensa. As grandes empresas de tecnologia também têm investido cada vez mais no desenvolvimento de chips próprios para ampliar seu poder computacional, destinando esses processadores a seus centros de dados. * Com informações das agências Reuters e Associated Press

  5. Samsung lança Galaxy S26 Ultra com 'tela anti-curiosos' A Samsung apresentou nesta quarta (25) seus três novos celulares da linha Galaxy S26 com funcionalidades de IA avançadas e uma inédita função de tela com proteção de privacidade que não precisa de película. Os Galaxy S26, S26+ e S26 Ultra foram anunciados em um evento em São Francisco, nos EUA. Eles já estão disponíveis em pré-venda e chegam às lojas em 20 de março. Confira os preços abaixo. Os três são vendidos com duas opções de armazenamento (256 GB e 512 GB) e 12 GB de RAM. O S26 Ultra tem ainda uma versão mais avançada, com 1 TB de armazenamento e 16 GB de RAM. A empresa também lançou os fones de ouvido Galaxy Buds4, nas versões padrão e Pro (confira preços e detalhes). Preços do Galaxy S26 no Brasil Arte/g1 Segundo a Samsung, os modelos são fabricados no Brasil. Com isso, eles não serão afetados pelo aumento do imposto de importação para celulares e outras centenas de produtos, anunciado no início de fevereiro pelo governo federal. A linha S26 concorre diretamente com o iPhone 17, lançado em setembro de 2025. Galaxy S26: veja as diferenças entre os modelos Tela 'anti-curiosos' O Galaxy S26 Ultra, modelo mais avançado da linha, é o que vem com a principal novidade: um modo de privacidade na tela contra curiosos. Quando ativada, apenas quem está na frente do aparelho consegue ver o conteúdo. Quem está ao lado vê apenas uma tela preta. A privacidade da tela, segundo a Samsung, é ativada de forma rápida no painel de controle do celular. Ela funciona desativando alguns pontos de luz (pixels) do display, o que também ajuda a economizar energia. Galaxy S26 Ultra com o recurso de privacidade da tela ativado: conforme o ângulo, não dá para ver o display Henrique Martin/g1 No uso de películas externas de privacidade, que realizam uma função similar, a tela fica ligada o tempo todo. A fabricante permite personalizar esses ajustes, com o recurso funcionando apenas em aplicativos predeterminados, como bancos e WhatsApp, e até mesmo para esconder notificações de mensagens, por exemplo. Galaxy S26 Ultra (atrás), Galaxy S26+ (no meio) e Galaxy S26: novos lançamentos da Samsung Henrique Martin/g1 Inteligência artificial cria elementos nas fotos As funções de inteligência artificial na linha Galaxy S26 foram aprimoradas, diz a Samsung. Recursos como “Circular para pesquisar” agora conseguem encontrar informações sobre outros elementos na imagem buscada – antes era um só. A edição de fotos utilizando inteligência artificial generativa também recebeu melhorias e agora pode responder a instruções (prompts) para criar novos itens dentro da foto. Basta digitar ou falar uma frase e a IA irá inserir a ideia na imagem, tentando manter a proporção e se integrar aos elementos existentes. Em testes feitos pelo g1 em uma demonstração na Samsung, essa ferramenta funcionou razoavelmente bem com comandos de voz, colocando uma fatia de bolo ou espalhando farinha ao redor da foto de uma colher de pau. Galaxy S25 Ultra (à esquerda) e Galaxy S24 Ultra (à direita) Henrique Martin/g1 Desde o ano passado, a Samsung integrou o Gemini, IA do Google, aos celulares da marca. Para a linha Galaxy S26, a novidade é a chegada do assistente da Perplexity, que vai funcionar em paralelo com o Gemini e a própria Bixby, da Samsung. Essa nova IA integrada pode ser ativada pelo comando de voz “Hey Plex”. A Samsung continua apostando em integrações de IA "hiper personalizadas". A empresa promete que, para a nova geração de celulares, a IA poderá verificar mensagens de texto trocadas com outra pessoa e sugerir ações de forma automática. Ao detectar uma mensagem como “vamos marcar”, o sistema pode sugerir uma reserva de restaurante e adicionar o compromisso à agenda. No dia do almoço, a IA ainda seria capaz de chamar um carro de aplicativo antes do encontro. A assistente virtual Bixby também será capaz de comandar outros eletrônicos conectados da marca, como máquinas de lavar e aspiradores-robô. Galaxy Buds4: novos fones de ouvido Além dos Galaxy S26, a Samsung apresentou também dois novos modelos de fones de ouvido, o Galaxy Buds4 e o Galaxy Buds4 Pro, ambos com recursos de cancelamento de ruído. Disponíveis nas cores branca e preta, os fones de ouvido serão vendidos no Brasil por R$ 1.599 na versão padrão. Já a versão Pro, também fabricada na cor rosé, será vendida por R$ 2.099. Como já ocorreu em gerações anteriores do produto, a Samsung adotou um design que lembra bastante os AirPods, da Apple, no acabamento. A diferença está nas hastes metálicas e na caixa transparente. Galaxy Buds4 (à esquerda) e Galaxy Buds4 Pro (à direita): lançamentos da Samsung em fevereiro de 2026. Henrique Martin/g1

  6. iPhone Pro 17 Pro e iPhone Air Godofredo A. Vásquez/AP O governo brasileiro elevou, no início de fevereiro, o imposto sobre mais de mil produtos importados, entre eles, celulares, com o objetivo de incentivar a competitividade da indústria nacional. O aumento para os produtos incluídos na medida pode chegar a até 7,2 pontos percentuais, afetando setores e consumidores que recorrem a compras internacionais (veja a lista ao final da reportagem). TikTok reúne perfis que exaltam Hitler e nazismo com códigos e posts explícitos O g1 questionou o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sobre qual era a alíquota anterior para celulares, mas não obteve resposta. A medida não atinge os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos comprados no país em 2025, segundo os ministérios. Os outros 5% são importados — a maioria da China —, informou o MDIC. Quais marcas podem — ou não — sofrer impacto com a alta dos impostos Veja os vídeos que estão em alta no g1 A decisão também garante tarifa zero de imposto de importação para todo componente usado pela indústria que não seja produzido no país (ou seja, que não tenha produção nacional similar). As principais empresas do setor, como Samsung, Motorola e Apple, já montam celulares no Brasil, explica Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações. Isso significa que os aparelhos vendidos no país não serão impactados pela elevação do imposto. Essas marcas não fabricam do zero o smartphone no Brasil. As peças do produto vêm de outros países e, quando chegam ao Brasil, são montados em suas unidades fabris ou de terceiros. A Apple, por exemplo, não tem fábrica no Brasil, mas mantém uma representante, a Foxconn, no interior de São Paulo, responsável por montar os iPhones que serão vendidos por aqui. A Vivo Mobile (sem relação com a operadora), chamada de Jovi no Brasil, também tem acordo com uma empresa nacional, a GBR Componentes, para produzir aparelhos na Zona Franca de Manaus. A Samsung, que anunciou a linha Galaxy S26 nesta quarta-feira, confirmou ao g1 que seu aparelho topo de linha também será montado no Brasil. A medida, no entanto, pode impactar marcas como Xiaomi, que não monta nem fabrica seus celulares no Brasil. O g1 procurou a empresa para comentar a decisão do governo e aguarda retorno. Ainda há demanda no Brasil por celulares importados mesmo com o mercado nacional abastecido por diversas marcas, explica Roberto Beninca, advogado tributarista e sócio da MBW Advocacia. Ele diz que isso ocorre porque a decisão de compra do consumidor não se baseia apenas na existência de oferta interna. "O consumidor que importa leva em consideração preço, tecnologia e percepção de valor. Muitos aparelhos importados apresentam melhor custo-benefício. Mesmo com tributos, o consumidor frequentemente encontra no mercado internacional modelos com especificações superiores por preço semelhante ou inferior ao praticado no Brasil", afirma Beninca. E quanto se pagaria a mais em um celular importado? Samsung Galaxy S25 Ultra, S25+ e S25 Divulgação/Samsung Beninca explica que o governo elevou as alíquotas do imposto de importação em até 7,2 pontos percentuais para celulares e outros produtos de tecnologia. Para ilustrar o impacto, ele considera um aparelho importado com valor de US$ 600. Com um câmbio de R$ 5 por dólar, o custo convertido seria de R$ 3 mil. "Imagine que, antes da medida, a alíquota do imposto de importação fosse de 16%. Nesse cenário, o valor do imposto seria de R$ 480, totalizando R$ 3.480 após essa etapa", exemplifica o advogado. Com o aumento de 7,2 pontos percentuais, a alíquota passaria para 23,2%. Nesse novo cenário, o imposto sobre os mesmos R$ 3 mil seria de R$ 696, elevando o custo para R$ 3.696 apenas na fase inicial da importação. "Contudo, esse não é necessariamente o valor final que chegará ao consumidor. Isso porque o imposto de importação compõe o custo base do produto. Sobre esse novo custo incidem margens do importador, despesas logísticas, estrutura comercial, eventuais tributos internos e margem do varejo", afirma. O impacto pode ser ainda mais forte em meio à crise na oferta global de memória RAM, componente essencial para o funcionamento desses produtos e que está em falta no mercado. O avanço da inteligência artificial está no centro dessa turbulência. Fabricantes têm direcionado investimentos e produção para chips mais avançados, usados em data centers de IA, o que reduziu a oferta de memórias tradicionais. Governo fala em 'reequilibrar os preços' De acordo com o governo, a mudança busca reequilibrar os preços entre itens estrangeiros e nacionais. Atualmente, o mercado brasileiro de eletrônicos possui forte dependência externa, afirma a nota técnica do Ministério da Fazenda. Segundo o documento, a China concentra 46% das importações desses bens, enquanto o Vietnã se consolidou como a segunda maior origem, com 7,9% de participação. O Ministério da Fazenda estima que arrecadará R$ 14 bilhões a mais neste ano com o aumento do imposto de importação incidente sobre os mais de mil produtos. O aumento das tarifas ajudará o governo federal a cumprir a meta de superávit nas suas contas neste ano. Desde o início de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou uma série de impostos para tentar reequilibrar as contas públicas. Produtos afetados Telefones inteligentes (smartphones) Torres e pórticos Reatores nucleares Caldeiras Geradores de gás de ar Turbinas para embarcações Motores para aviação Bombas para distribuição de combustíveis ou lubrificantes Fornos industriais Congeladores (freezers) Centrifugadores para laboratórios de análises, ensaios ou pesquisas científicas Máquinas e aparelhos para encher, fechar, arrolhar, capsular ou rotular garrafas Empilhadeiras Robôs industriais Máquinas de comprimir ou de compactar Distribuidores de adubos (fertilizantes) Máquinas e aparelhos para as indústrias de panificação, açúcar e cervejeira Máquinas para fabricação de sacos ou de envelopes Máquinas e aparelhos de impressão Cartuchos de tinta Descaroçadeiras e deslintadeiras de algodão Máquinas para fiação de matérias têxteis Máquinas e aparelhos para fabricar ou consertar calçado Martelos Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados Máquinas de cortar o cabelo Painéis indicadores com LCD ou LED Controladores de edição Tratores Transatlânticos, barcos de excursão e embarcações semelhantes Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis Navios de guerra Câmeras fotográficas para fotografia submarina ou aérea, para exame médico de órgãos internos ou para laboratórios de medicina legal ou de investigação judicial Aparelhos de diagnóstico de imagem por ressonância magnética Aparelhos dentários Aparelhos de tomografia computadorizada TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Reddit é multado em R$ 100 milhões no Reino Unido Meninas expõem rotina de casadas no TikTok

  7. SpaceX quer abastecer Starship no espaço para missões a Marte Uma "cidade que cresce sozinha" na Lua e poderia ser construída em menos de 10 anos é o novo plano revelado recentemente por Elon Musk. O dono do X (antigo Twitter), da Tesla e da SpaceX — e a pessoa mais rica do mundo — declarou em postagem recente, com mais de 40 milhões de visualizações, que a SpaceX mudou de foco para construir uma cidade na Lua, em vez de Marte. Mas por que Musk mudou de ideia? E o que sabemos sobre a cidade lunar "que cresce sozinha"? Lua x Marte Ainda não há um plano formal, totalmente detalhado, com plantas para a cidade que cresce sozinha. Esta é uma visão compartilhada por Musk na sua plataforma de rede social. Ele descreveu a formação de um assentamento humano que poderá se expandir gradualmente, usando recursos lunares, graças a lançamentos mais frequentes em direção à Lua. Na sua postagem, Musk declarou que este objetivo poderá ser atingido em "menos de 10 anos, enquanto Marte levaria 20 anos ou mais". "A missão da SpaceX permanece a mesma: levar a consciência e a vida como a conhecemos até as estrelas", segundo ele. Musk explicou que só é possível viajar para Marte quando os "planetas se alinham, a cada 26 meses (tempo de viagem de seis meses)". Por outro lado, ele destacou que "podemos lançar foguetes para a Lua a cada 10 dias (tempo de viagem de dois dias). Isso significa que podemos agir com muito mais rapidez para estabelecer uma cidade na Lua do que em Marte." A missão da SpaceX continua sendo realizar a antiga ambição de Musk de construir uma cidade em Marte e a empresa "começará a fazê-lo em cerca de cinco a sete anos", escreveu ele no X. "Mas a principal prioridade é garantir o futuro da civilização e a Lua é mais rápida." Por que é tão difícil para humanos chegar a Marte 'Nuke Mars': a camiseta de Elon Musk que sugere ataque nuclear a Marte Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? Em postagem no X, Elon Musk explicou por que a SpaceX mudou de foco para construir uma cidade na Lua e não em Marte Reuters via BBC Os admiradores e seguidores de Musk criaram e compartilharam rapidamente projetos de qual poderia ser a aparência dessa cidade na Lua. Alguns deles usaram a ferramenta de IA de Musk, chamada Grok. Os comentários de Musk vão de encontro a uma reportagem publicada no início de fevereiro pelo The Wall Street Journal. Segundo a notícia, a SpaceX declarou aos investidores que iria priorizar as missões para a Lua e tentar uma viagem para Marte posteriormente. E que seu pouso lunar não tripulado está programado para março de 2027. Esta mudança contradiz o antigo foco de Musk em Marte como o principal destino da SpaceX. Até o ano passado, ele dizia que a empresa planejava lançar uma missão não tripulada para o planeta vermelho até o final de 2026. "Não, nós vamos direto para Marte. A Lua é uma distração", declarou Musk em janeiro de 2025, em resposta a uma postagem no X. Elon Musk tem um longo histórico de estabelecer cronogramas ambiciosos para projetos como veículos elétricos e tecnologia de direção autônoma, que deixaram repetidamente de se materializar no prazo pretendido. Como fazer O professor de aplicações, exploração e instrumentação espacial Sungwoo Lim, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, descreve o plano da SpaceX, de construir uma base na Lua, como "ambicioso", mas não como "ficção científica". "A ideia básica — usar o solo da Lua para produzir oxigênio, água e material de construção — se baseia em processos industriais que já usamos na Terra", declarou ele à BBC. "Teoricamente, pode ser feito." Mas Lim explica que o desafio é se esses sistemas podem operar de forma confiável no rigoroso ambiente lunar, que inclui temperaturas extremas, poeira fina, baixa gravidade e escassez de energia. "Eles ainda precisam ser testados adequadamente na superfície lunar antes de podermos empregá-los", destaca ele. Lim observa que as agências espaciais governamentais tendem a se mover "cautelosamente" porque dependem de fundos públicos e longos ciclos políticos, que "limitam a rapidez do teste de novas ideias". Já a SpaceX, segundo ele, "opera de forma diferente". "Se o seu novo sistema de foguetes funcionar conforme o planejado, ele poderá enviar equipamento para a Lua com mais frequência e a custo mais baixo, acelerando o processo." Lançamento da Starship, da SpaceX, em maio de 2025 Reprodução Ugur Guven, diretor do Centro de Estudos de Energia e Aeroespaciais da Universidade GD Goenka, na Índia, afirma que a Lua também oferece uma vantagem importante em relação a Marte para os primeiros assentamentos humanos fora da Terra: o rápido reabastecimento e resposta a emergências. "Se algo der errado e você tiver um habitat ali, poderá enviar rapidamente uma missão de acompanhamento", explicou ele à BBC. Ele destaca que a viagem da Terra à Lua normalmente leva "de dois a três dias". Apesar disso, Lim alerta que uma "verdadeira cidade lunar autossustentável" ainda é um objetivo distante. "Cultivar alimentos sem trazer nutrientes da Terra, criando um sistema fechado onde tudo é reciclado, é muito mais complexo", afirma ele. "Isso provavelmente irá levar décadas." "Por isso, a visão é possível, mas acontecerá paulatinamente, não tudo de uma vez." Os Estados Unidos travam uma corrida contra a China para levar seres humanos para a Lua ainda nesta década Reuters via BBC O professor de ciências da Terra e engenharia civil e ambiental Clive Neal, da Universidade Notre Dame em Indiana, nos Estados Unidos, pesquisa a exploração lunar por seres humanos e é da mesma opinião. "Até realizarmos uma campanha abrangente de prospecção de recursos, que demonstre que existem na Lua recursos que podem ser extraídos de forma econômica, não teremos ideia de onde construir uma cidade 'que cresce sozinha', sem recursos acessíveis para extração", explicou ele à BBC. Lim acredita ser "realista" que um "pequeno posto avançado lunar" possa começar a produzir parte do seu próprio oxigênio e, possivelmente, extrair água nos próximos 10 anos. "Seria um avanço importante", afirma ele. O ex-astronauta da Nasa Jeffrey Hoffman, hoje professor de aeronáutica e astronáutica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos (MIT, na sigla em inglês), defende que "podemos gerenciar o fornecimento logístico para uma base lunar agora" se a SpaceX e a Blue Origin (a empresa de tecnologia do fundador da Amazon, Jeff Bezos) desenvolverem módulos lunares com sucesso. "Mas Marte ainda está muito distante", disse ele à BBC. Para Hoffman, a experiência obtida com a construção de habitats lunares sustentáveis poderá ser eventualmente aplicada ao estabelecimento de uma base em Marte. Guven concorda e acrescenta que, quando a base na Lua estiver estabelecida, ficará muito mais fácil chegar a Marte, pois o nosso satélite poderá servir de "trampolim". Aumento da concorrência Os comentários de Elon Musk vieram em um momento em que os Estados Unidos enfrentam aumento da concorrência chinesa pelo retorno dos seres humanos à Lua nesta década. A última vez em que pusemos os pés na superfície lunar foi em 1972, durante a missão Apollo 17, da Nasa. Musk anunciou recentemente que a SpaceX adquiriu a empresa de inteligência artificial também chefiada por ele, a startup xAI. O negócio avaliou a empresa de satélites e foguetes em US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,16 trilhões) e a firma de IA em US$ 250 bilhões (cerca de R$ 1,29 trilhão). O anúncio poderá também vir em apoio à sua ambição de instalar centros de dados no espaço, que lidariam com grandes volumes de computação de IA, segundo a correspondente da BBC em Nova York, nos Estados Unidos, Michelle Fleury. Satélites gigantes e superchips: como serão os data centers no espaço? Imagem de conceito da Starcloud mostra como poderá ser futuro data center no espaço Divulgação/Starcloud Musk é o maior acionista da SpaceX e vem agilizando seus negócios, frente a uma possível entrada na bolsa de valores. Ele estaria considerando abrir o capital da empresa, segundo Fleury. Esta decisão poderá levantar até US$ 50 bilhões (cerca de R$ 258 bilhões), naquela que talvez venha a ser a maior oferta pública de ações da história. Em janeiro, Musk anunciou planos de colocar um milhão de centros de dados no espaço. Ele espera que este programa ajude a atender à demanda cada vez maior de instalações na Terra, gerada pelo aumento do uso da IA. Mas alguns especialistas permanecem céticos. Eles destacam que um dos principais desafios é a falta de ar no vácuo espacial para resfriar unidades de processamento gráfico. Elas desempenham papel importante nas tarefas de IA e no uso intensivo de dados. No início de fevereiro, Musk declarou no X, em resposta a um usuário, que a Nasa teria menos de 5% da receita da SpaceX este ano. A SpaceX é uma das principais contratadas do programa lunar Artemis, da Nasa, cuja missão é levar astronautas para pousar na Lua.

  8. É #FAKE imagem de avião em chamas em aeroporto do México após morte de traficante El Mencho Reprodução Circula nas redes sociais a foto de um avião em chamas supostamente registrada neste domingo (22) no Aeroporto Internacional de Guadalajara, no México, em meio à onda de violência provocada pela morte do traficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho. É #FAKE. selo fake g1 🛑 Como é a foto falsa? A foto falsa viralizou em diversos posts no Instagram – foi, inclusive, inserida em vídeos. Uma caixa de texto sobreposta à imagem afirma: "Aeroporto de Guadalajara é atacado por cartel hoje, dia 22/02/26". A mensagem omite que se trata de um material adulterado (veja detalhes abaixo). Naquela mesma data, uma operação militar havia resultado na captura e na morte de El Mencho. Ele era chefe do cartel Jalisco Nova Geração, apontado como um dos principais fornecedores de fentanil para os Estados Unidos. Jalisco é justamente o estado que tem Guadalajara como capital. A ação gerou uma forte reação do crime organizado e colocou o país em estado de alerta. A onda de violência causou mais de 70 mortes, bloqueios em rodovias, incêndios e confrontos, levando pânico a locais públicos. Vídeos reais mostraram correria e desespero no próprio aeroporto citado no post mentiroso, quando homens armados, supostamente ligados ao cartel, abriram fogo no terminal. ⚠️ Por que a foto é mentirosa? O Fato ou Fake submeteu a "foto" a quatro plataformas que detectam conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial (IA). Mas, para fazer isso, foi necessário selecionar apenas o segmento do avião pegando fogo, ou seja: foi excluída a parte com o texto "Aeroporto de Guadalajara é atacado por cartel hoje, dia 22/02/26". Isso porque esse tipo de mensagem pode driblar as ferramentas, fazendo com que um material editado se passe por verdadeiro. Veja, a seguir, os resultados (os infográficos estão ao final desta reportagem): Sightengine – 90% de probabilidade de a imagem ter sido produzida com IA. Is It AI – 90% de probabilidade de o conteúdo ser sintético. ZeroGPT – "esta imagem é provavelmente editada digitalmente". Undetectable AI – também acusa provável edição. O Fato ou Fake também enviou a imagem, por e-mail, ao diretor do Aeroporto Internacional de Guadalajara, Martin Pablo Zazueta Chávez. O texto de resposta diz: "É uma imagem falsa. O Aeroporto Internacional de Guadalajara manteve e mantém os padrões de Segurança Operacional (SMS) e Segurança da Aviação Civil (AVSEC), preservando a integridade de nossos usuários e da infraestrutura. Os acontecimentos ocorridos na entidade não se deram dentro do perímetro do Terminal Aéreo". No próprio domingo (22), o perfil oficial do Governo de Jalisco no X divulgou um comunicado no qual aparece o selo "falso" em três imagens. Uma delas é precisamente a do avião em chamas no aeroporto internacional – as outras duas mostram casas e prédios supostamente incendiados. O texto diz: "Considerando os acontecimentos de hoje, é importante agir com responsabilidade. Foram detectadas imagens, áudios e publicações falsas em circulação. Evite compartilhar conteúdo sem verificar sua origem e confirme se provém de fontes oficiais". O Grupo Aeroportuário del Pacífico, concessionária que administra o terminal, também postou um comunicado no X domingo, afirmando: "O terminal aéreo está sob a proteção de agentes da Guarda Nacional (GN) e da Secretaria da Defesa Nacional (SEDENA) [...]. As informações e o material que circulam nas redes sociais não correspondem a situações de risco dentro dos terminais, mas, sim, a um estado de pânico apresentado entre os passageiros, o que gerou percepções que não refletem a situação real nos aeroportos". Por fim, o Fato ou Fake fez uma busca reversa em motores de busca, como o Google Lens, para descobrir quando a imagem foi publicada e em que contexto. O resultado da pesquisa não indicou publicações confiáveis, como jornais e órgãos oficiais. Ferramenta Sightengine aponta 90% de chance de a imagem ter sido criada com inteligência artificial Reprodução A ferramenta Is it AI ponta 90% de chance de o conteúdo ser sintético Reprodução Ferramenta ZeroGPT aponta 93% de chance de a imagem ter sido editada digitalmente Reprodução Undetectable AI acusa provável edição Reprodução Veja vídeos da situação no México: Entenda onda de violência no México após morte de chefe de cartel Passageiros e funcionários correm após tiros serem disparados no Aeroporto de Guadalajara Operação contra cartel causa terror no México É #FAKE imagem de avião em chamas em aeroporto do México após morte de traficante El Mencho Reprodução Veja também Governo não criou imposto único de 44% sobre aluguel Governo não criou imposto único de 44% sobre aluguel VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

  9. 'PIB fantasma' e desemprego em massa: as previsões apocalípticas de texto sobre IA que viralizou e assustou mercados. Getty Images via BBC As ações de algumas empresas de tecnologia — sobretudo de software — despencaram na segunda-feira (23/2) e analistas dizem que o principal motivo seria uma postagem em um blog que viralizou, pintando um cenário sombrio para a economia mundial diante da ascensão da inteligência artificial. As empresas de software Datadog, CrowdStrike e Zscaler viram suas ações despencarem mais de 9% cada uma ao longo da segunda-feira. A International Business Machines teve queda de 13% — seu pior desempenho em um único dia desde 2000. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Outras empresas cujo desempenho também pode vir a ser afetado no futuro pela inteligência artificial também viram suas ações perderem valor. As ações da American Express caíram cerca de 7%, enquanto as do JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley recuaram mais de 4%. Mastercard e Visa tiveram quedas de mais de 4%. Segundo analistas e jornalistas especializados, o principal motivo por trás das quedas no mercado foi um post escrito pela Citrini Research, uma empresa que foi fundada pelo investidor James van Gleek. A Citrini Research é um dos canais de finanças mais lidos do Substack. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O texto que viralizou fala em um "PIB fantasma", a ideia de que a inteligência artificial vai aumentar a produtividade e até o tamanho de algumas economias, mas que provocaria ao mesmo tempo desemprego em massa ao substituir humanos. Com isso, esse aumento da riqueza seria apenas ilusório. "A explicação mais comum para a renovada apreensão [nos mercados na segunda-feira] foi uma postagem no blog da Citrini Research sobre como a IA poderia levar à demissão de muitos profissionais de alta renda e prejudicar a economia", escreveu o colunista Robert Armstrong, do jornal britânico Financial Times. Já o Wall Street Journal escreveu que "não é preciso muito para provocar movimentos turbulentos nas ações em um mercado dominado por ações de tecnologia e ansioso pelas perspectivas da inteligência artificial". "Mas nada evidencia a sensibilidade das ações neste momento como o que aconteceu na segunda-feira, quando um dos fatores por trás da queda de 800 pontos do Dow Jones foi um argumento hipotético de 7 mil palavras." O que diz o texto que viralizou? A Citrini Research afirma logo no começo que seu texto, publicado no domingo, não é uma previsão do futuro — mas sim um "exercício mental". "O único objetivo deste texto é modelar um cenário que tem sido relativamente pouco explorado", escreve. O texto é escrito como se fosse um relatório do dia 30 de junho de 2028. Ele relata um mundo com desemprego de 10,2% e queda de quase 40% do S&P (índice das ações das principais empresas listadas nos EUA). Em apenas dois anos, os mercados iriam de uma euforia com a inteligência artificial a uma profunda crise provocada pela ascensão da tecnologia. Segundo os autores, a inteligência artificial provocaria desemprego em massa entre trabalhadores de colarinho branco — atividades ligadas à administração e gerenciamento. A produtividade das empresas teria um salto com robôs sendo mais eficientes do que trabalhadores — já que agentes de IA "não dormem, não tiram dias de folga por doença e não precisam de plano de saúde". No entanto, isso geraria um "PIB fantasma": ganhos massivos de produtividade, mas com queda enorme nos salários reais, já que os trabalhadores substituídos teriam que buscar empregos com rendimentos menores. "Quando começaram a surgir fissuras na economia de consumo, os especialistas econômicos popularizaram a expressão 'PIB Fantasma': produção que aparece nas contas nacionais, mas nunca circula pela economia real", escreve a Citrini Research, prevendo o que analistas do futuro diriam sobre a crise. "Em todos os sentidos, a IA estava superando as expectativas, e o mercado era IA. O único problema... a economia não era." O texto descreve uma "espiral de substituição da inteligência humana" que teria acontecido a partir de 2026, no cenário fictício. "As capacidades de IA melhoraram, as empresas precisaram de menos funcionários, as demissões de profissionais de escritório aumentaram, os trabalhadores demitidos gastaram menos, a pressão sobre as margens levou as empresas a investir mais em IA, as capacidades de IA melhoraram… É um ciclo vicioso sem freio natural." O artigo descreve ficcionalmente uma empresa de inteligência artificial que consegue avanços na área de "agentic coding", em que agentes autônomos de IA escrevem e testam códigos com intervenção humana mínima. Com o tempo, empresas de software gerariam eficiências aos seus clientes, que precisariam de menos mão-de-obra. Mas menos trabalhadores também implica em menos licenças de software sendo compradas, gerando perdas financeiras ao próprio setor de softwares que desenvolveu novas tecnologias. 'Relações humanas' A crise no setor de softwares seria apenas um prelúdio de uma crise mais ampla, segundo ao artigo. Com o tempo, todos os setores produtivos passariam a usar agentes de inteligência artificial que produziriam ganhos enormes de eficiência. Praticamente todas as atividades humanas que necessitam de trabalho especializado — mediante pagamento por esses serviços — seriam otimizadas por máquinas: comércio, agências de turismo, contabilidade, serviços legais, entre outros. "Qualquer categoria em que a proposta de valor do prestador de serviços é 'Eu vou lidar com a complexidade que você considera tediosa' foi impactada, pois os agentes [de inteligência artificial] não acham que nada seja tedioso", escrevem os autores. Segundo eles, até mesmo áreas em que as relações humanas eram valorizadas se provariam frágeis. "O mercado imobiliário, onde os compradores toleravam comissões de 5 a 6% durante décadas devido à assimetria de informação entre o agente e o consumidor, desmoronou quando agentes de IA equipados com acesso a bases de dados com listagem de preços de propriedades e décadas de dados de transações puderam replicar instantaneamente a base de conhecimento." "[Descobrimos que por anos] havíamos superestimamos o valor das 'relações humanas'. Descobrimos que muito do que as pessoas chamavam de relacionamentos era simplesmente 'atrito' — só que apresentada de forma mais simpática." Outro exemplo dado pelos autores é o de aplicativos de entrega de comida. Segundo eles, desenvolvedores seriam capazes de criar, com ajuda da inteligência artificial, aplicativos mais eficientes que os atuais, repassando de 90% a 95% da receita direto aos motoristas, provocando uma falência em empresas que dominam o mercado hoje. Mas mesmo os motoristas não teriam muito futuro: já que em breve eles próprios seriam substituídos por veículos autônomos. Outra área de otimização seria em transações financeiras, com busca a alternativas mais baratas aos cartões de crédito, como Visa e Mastercard. O exemplo dado pela Citrini Research é o das stablecoins como Solana e Ethereum — que são criptomoedas com menos volatilidade. A migração para sistemas com stablecoins provocaria uma crise em empresas de meios de pagamentos. Empregos dizimados Segundo os autores, sempre houve uma crença de que "a inovação tecnológica destrói empregos e depois cria outros mais". Mas isso estaria mudando. "A IA agora é uma inteligência geral que aprimora justamente as tarefas para as quais os humanos seriam realocados. Programadores desempregados não podem simplesmente migrar para a 'gestão de IA', porque a própria IA já é capaz de fazer isso." Eles dizem que a inteligência artificial continuariam criando novos empregos — como engenheiros de prompt, pesquisadores de segurança em IA ou técnicos de infraestrutura — mantendo os humanos dentro da cadeia de produção. Mas esses empregos não seriam suficientes para absorver a mão-de-obra que seria perdida. E os salários seriam muito mais baixos. Os autores dão como exemplo fictício uma gerente sênior de produto. "[Em 2025, ela tinha] cargo, plano de saúde, previdência privada e salário de US$ 180 mil por ano (R$ 930 mil). Ela perdeu o emprego na terceira rodada de demissões. Depois de seis meses procurando emprego, começou a dirigir para o Uber. Seus ganhos caíram para US$ 45 mil (R$ 230 mil)". "Multiplique essa dinâmica por algumas centenas de milhares de trabalhadores em todas as principais metrópoles. A mão de obra superqualificada inundando a economia de serviços e de trabalhos temporários pressiona para baixo os salários dos trabalhadores que já estavam em dificuldades." O próximo passo, segundo os autores, seria sentido no mercado imobiliário. A queda brusca na massa de salários provocaria dificuldades para compradores pagarem por seus empréstimos imobiliários. Todo esse cenário de crise geraria uma resposta de governos, mas eles próprios estariam em situação mais frágil, dada a queda esperada em arrecadação de impostos. "O governo precisa transferir mais dinheiro para as famílias exatamente no momento em que está arrecadando menos impostos delas. [...] A capacidade da IA ​​está evoluindo mais rápido do que as instituições conseguem se adaptar. A resposta política está seguindo o ritmo da ideologia, não da realidade." Os autores lembram ao final do artigo que ainda não estamos em junho de 2028, como eles propõem retoricamente. Estamos em fevereiro de 2026 e esses "ciclos negativos ainda não começaram". "Temos certeza de que alguns desses cenários não se concretizarão. Da mesma forma, temos certeza de que a inteligência artificial continuará a se acelerar. Como investidores, ainda temos tempo para avaliar o quanto de nossos portfólios se baseia em premissas que não resistirão à década. Como sociedade, ainda temos tempo para sermos proativos." Reações Apesar de muitos atribuírem a quedas do mercado na segunda-feira ao texto da Citrini Research, nem todos levam a sério suas previsões. "O mais importante sobre o texto não é o que ele diz. É que o mercado de ações chegou ao ponto em que postagens em blogs causam movimentos significativos nas ações, ou pelo menos é o que as pessoas pensam que causam", escreve o colunista de mercados Robert Armstrong, do Financial Times. "A polêmica em torno da Citrini é mais uma prova de que estamos em um mercado inflado que busca uma desculpa para cair, por razões que provavelmente vão além da IA." Em artigo na revista Fortune, o editor de Negócios Nick Lichtenberg diz que o cenário traçado pela Citrini "pode estar ignorando a adaptabilidade humana e a resposta institucional" e que a inteligência artificial "poderia eventualmente democratizar o acesso à abundância" de recursos. "O argumento do 'PIB fantasma' da Citrini pressupõe que os salários humanos substituídos desaparecerão permanentemente da economia, ignorando como os ganhos de produtividade historicamente tendem a realocar valor em vez de destruí-lo", escreve Lichtenberg. "Quando a IA reduz os custos, bens e serviços ficam mais baratos, aumentando efetivamente o poder de compra real, mesmo para famílias com renda nominal mais baixa." Ele cita um Tanmai Gopal — CEO da empresa PromptQL, de análise de dados — que estima que 70% dos trabalhos de hoje não podem ser automatizadas, pois a IA precisa ser treinada com dados e o contexto humano é dinâmico demais para que ela seja atualizada com frequência suficiente. Na segunda-feira, o CEO do JPMorgan Chase — cujas ações caíram mais de 4% em meio às repercussões do artigo — afirmou que os temores sobre inteligência artificial são exagerados e que seu banco usará a tecnologia a seu favor. "Na minha opinião, sairemos vencedores", disse Jamie Dimon. "Nossa estratégia sempre foi usar a tecnologia para prestar um serviço melhor aos clientes, e somos muito bons nisso."

  10. Reddit é multado em R$ 100 milhões no Reino Unido A plataforma online Reddit foi multada em 14,47 milhões de libras (mais de 100 milhões de reais) nesta terça-feira (24) pela agência reguladora britânica de proteção de dados (ICO, na sigla em inglês) por "uso ilegal de dados pessoais de crianças". O site americano "não implementou um mecanismo sólido de verificação de idade e não tinha base legal para processar os dados pessoais de crianças menores de 13 anos", escreveu a agência em nota, após iniciar sua investigação em março de 2025. "Crianças menores de 13 anos viram seus dados pessoais coletados e usados de maneiras que não podiam entender nem controlar. Assim, estiveram potencialmente expostas a conteúdo que não deveriam ter visto", enfatizou a ICO. Reino Unido vai endurecer regras para chatbots de IA após polêmica com o Grok, de Musk Veja o que países estão fazendo para regular o acesso de crianças às redes sociais Premiê britânico quer medidas para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais A agência reguladora explicou que os termos de uso do Reddit proíbem o acesso à plataforma a crianças menores de 13 anos, mas que não havia medidas de verificação de idade antes de julho de 2025. Até então, o site se limitava a perguntar a idade dos usuários, sem verificação, observou a ICO, acrescentando que "a autodeclaração traz riscos para as crianças, pois é fácil burlar esse sistema". "O Reddit não exige que seus usuários compartilhem informações de identidade, independentemente da idade, porque estamos profundamente comprometidos em proteger sua privacidade e segurança", respondeu um porta-voz da empresa nesta terça-feira, acrescentando que planeja recorrer da decisão. A ICO também anunciou em março de 2025 outras duas investigações sobre o uso de dados de crianças, relacionadas ao TikTok e ao site americano de compartilhamento de imagens Imgur. O governo trabalhista de Keir Starmer intensificou recentemente seus esforços para proteger menores online, lançando uma consulta pública sobre uma possível proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos. Logo do Reddit. Dado Ruvic/ Reuters

  11. Criança brinca com celular em Ribeirão Preto, SP telas ansiedade Reprodução/EPTV Um em cada cinco usuários do Instagram com idades entre 13 e 15 anos disse à Meta que viu "nudez ou imagens sexuais" que não queria ver na plataforma, de acordo com um processo judicial. O documento, divulgado na sexta-feira (20) como parte de um processo no estado norte-americano da Califórnia e analisado pela Reuters, inclui trechos de um depoimento de março de 2025 do chefe do Instagram, Adam Mosseri. A pesquisa foi realizada em 2021, segundo Andy Stone, porta-voz da Meta. De acordo com ele, a estatística sobre imagens explícitas tem como base um levantamento com usuários do Instagram sobre suas experiências na plataforma — e não uma análise direta das publicações. A tática de grupos nazistas para espalhar discurso de ódio no TikTok A maioria das imagens sexualmente explícitas foi enviada por meio de mensagens privadas entre usuários, disse Mosseri em seu depoimento, e a Meta deve considerar a privacidade dos usuários ao analisá-las. "Muitas pessoas não querem que a gente leia suas mensagens", disse ele. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Cerca de 8% dos usuários na faixa etária de 13 a 15 anos também disseram ter "visto alguém se machucar ou ameaçar fazer isso no Instagram", de acordo com o depoimento. No final de 2025, a empresa disse que, para usuários adolescentes, removeria imagens e vídeos "contendo nudez ou atividade sexual explícita, incluindo quando gerados por IA", com exceções consideradas para conteúdo médico e educacional. "Estamos orgulhosos do progresso que fizemos e sempre trabalhando para melhorar", disse Stone. A Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, enfrenta alegações de líderes globais de que os produtos da empresa prejudicam os usuários jovens. Nos Estados Unidos, milhares de ações judiciais acusam a empresa de criar produtos viciantes e alimentar uma crise de saúde mental nos jovens. LEIA TAMBÉM: 'Não faça isso': executiva da Meta diz que IA alucinou e apagou seus e-mails Levei 20 minutos para enganar ChatGPT e Gemini – e os fiz contar mentiras sobre mim Criador do ChatGPT se recusa a posar de mãos dadas para foto com rival em evento de IA TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Chefões da OpenIA e da Anthropic se recusam a dar as mãos em evento A ofensiva da União Europeia para enquadrar as big techs

  12. Na semana passada, acompanhei o Century Summit VI, evento realizado pela Universidade Stanford que, nessa sexta edição, teve como tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”. Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins, foi responsável por uma das palestras mais impactantes. Enquanto a maioria dos participantes apontou a inteligência artificial como a saída para os impasses contemporâneos, ela preferiu alertar para o risco da idealização da IA. Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins: empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia Reprodução Para escrever seu mais recente livro, The last human job: the work of connecting in a disconnected world (em tradução livre, O último emprego humano: o trabalho de conectar-se em um mundo desconectado), Pugh entrevistou, ao longo de cinco anos, cerca de cem pessoas que exercem o que batizou de “trabalho de conexão” (connective labor). São profissionais como médicos, enfermeiros, terapeutas, cuidadores e até cabeleireiros, que, na sua avaliação, “vivenciam a empatia e enxergam o outro – e isso é o que o ser humano faz de melhor”, afirmou. A socióloga enfatizou que o futuro do aprendizado e do trabalho deve estar centrado nas pessoas. “Focar no potencial humano é o que leva à inovação. Quando há uma conexão mútua entre os indivíduos, eles constroem algo”, disse. Também ressaltou que criou o termo “trabalho de conexão” para chamar a atenção para a sua importância: “Estamos num momento crítico para pensar em como a inteligência artificial será usada, e o mais preocupante é ela ser apresentada como uma solução para substituir esses ‘trabalhos de conexão’. Não podemos perder de vista que as empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia. A IA é moldada para manter o engajamento de quem a consome e seu objetivo é atender a todos os anseios da pessoa, inclusive desencorajando que se busque a ajuda de outro ser humano. Essa não é a IA que queremos. Queremos a tecnologia que fabricará medicamentos eficientes em tempo recorde, mas não aquela que pretende intervir ou mediar a vida de alguém”. Foi uma declaração forte e necessária para os tempos em que vivemos. Na opinião de Pugh, aprendizados e relacionamentos precisam de uma certa tensão, que ela chama de “fricção”. É assim que o indivíduo sai da sua zona de conforto para alcançar algo a que aspira: “Educadores sabem como essa fricção é relevante ao longo de toda a existência. A criatividade não acontece quando estamos satisfeitos. O sentido de propósito não nasce de estado contínuo de bem-estar e felicidade, mas de interações que envolvem dificuldades e tensões. No entanto, a IA é enaltecida porque não nos julga, porque não dorme e está sempre a postos e solícita. O que os algoritmos fazem é eliminar a fricção. Só que, no ambiente de trabalho e na vida, ocorre justamente o oposto. É fundamental a capacidade de se relacionar, o que pode estar sendo afetado, e até comprometido, quando se forja a ideia de que a inteligência artificial é a solução para tudo”. Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca: na semana passada, o jornal The New York Times publicou reportagem relatando que a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, está se preparando para gastar US$ 65 milhões (perto de R$ 340 milhões) em 2026 para apoiar políticos favoráveis à indústria de inteligência artificial. O montante é o maior investimento eleitoral já feito pela empresa e sinaliza uma prioridade corporativa de escala bilionária. Inteligência artificial na educação

  13. TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Uma reportagem do g1, publicada no domingo (22), mostrou que perfis no TikTok exaltam Adolf Hitler e o nazismo, tanto de forma explícita quanto por meio de mecanismos de disfarce. No Brasil, a apologia ao regime é crime (saiba mais abaixo). Segundo as pesquisadoras Liriam Sponholz e Yasmin Curzi, especialistas em discurso de ódio, grupos neonazistas e supremacistas utilizam códigos para driblar a moderação da plataforma e tentar evitar responsabilização por apologia. Elas afirmam que, embora os propagadores de ódio tentem se esconder por trás de sinais, ainda assim fazem apologia ao nazismo. Desde o fim de janeiro, ao longo de quatro semanas, o g1 identificou ao menos 62 contas que publicaram conteúdos de exaltação ao nazismo. O g1 chegou a essas publicações a partir de uma denúncia enviada por um leitor, que não será identificado por segurança. "Encontrei esses perfis a partir de vídeos de denúncia publicados por outros usuários do próprio TikTok. Depois de acessar um deles, a plataforma passou a me recomendar cada vez mais conteúdos semelhantes", relatou. VC no g1: tem uma denúncia ou sugestão? Envie para o g1 🚨Como denunciar posts em Facebook, Instagram, TikTok... Em menos de três dias de monitoramento, o g1 passou a receber com frequência, na aba "For You" ("Para você"), vídeos, fotos e memes com essas referências. À medida que o acompanhamento avançava, novos perfis com esse tipo de material apareceram com mais frequência no feed. Além disso, foi encontrado um grande volume de comentários nesses posts com referências favoráveis à ideologia nazista. O g1 procurou o TikTok e compartilhou algumas das postagens encontradas. A rede social afirmou que esses conteúdos foram removidos por violarem as Diretrizes da Comunidade. O TikTok disse que não permite apoiar ou disseminar ideologias de ódio, "o que inclui alegações de supremacia sobre um grupo protegido, antissemitismo ou outras formas de preconceito". E que o uso de símbolos e imagens associados a movimentos de ódio também vai contra as diretrizes da plataforma (veja a resposta na íntegra ao fim da reportagem). "Nós treinamos regularmente nossos profissionais de segurança para ajudá-los a aprimorar a detecção de comportamento de ódio, símbolos, termos e estereótipos ofensivos, e para ajudá-los a identificar e proteger o contradiscurso." Uso de códigos para 'disfarçar' Grupos nazistas usam códigos para driblar a lei. Reprodução/TikTok A maioria das postagens encontradas pelo g1 usa hashtags, emojis e siglas para fazer referência à ideologia, embora existam também conteúdos explícitos. ⚠️ Os códigos usados por neonazistas e supremacistas não serão citados nesta reportagem para evitar sua propagação e promoção. Parte do material foi encaminhada para avaliação das pesquisadoras Liriam Sponholz e Yasmin Curzi, que confirmaram que muitos dos posts analisados fazem apologia ao nazismo. Segundo elas, o material codificado é o que pesquisadores chamam de "dog whistle" ("apito de cachorro"): um sinal de duplo sentido que passa despercebido para a maioria das pessoas, mas é reconhecido por quem tem familiaridade com a referência. A estratégia ainda permite manter certa negação plausível, explica Liriam Sponholz. Liriam faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI), que pesquisa, entre outros temas, a circulação de informações mediadas por plataformas, algoritmos e dados. "(As postagens) evitam usar símbolos explicitamente citados nas legislações, como a suástica, e também fazem questão de não mencionar diretamente certos termos. Por exemplo, deixam de citar de forma explícita palavras como "Hitler", diz Liriam. "A apologia está presente nesses posts, mas, do ponto de vista jurídico, nem sempre é interpretada como tal justamente por não ser explícita", completa. Liriam observa que, nas redes, comprovar a intenção é muito complicado. Ainda assim, ela alerta que não se pode usar essa dificuldade como justificativa para permitir que a apologia ao nazismo continue circulando. Perfis de diversos países As postagens encontradas pelo g1 foram feitas em vários idiomas, incluindo português, mas não revelam onde estão seus criadores. Também não é possível confirmar oficialmente a localização das contas, já que, ao contrário do X e do Instagram, o TikTok não informa o país de origem do perfil. Ainda assim, a plataforma tikip.us, que reúne dados e estima a localização de contas do TikTok, aponta que 15 das 62 analisadas estariam no Brasil. As demais foram atribuídas a países como Estados Unidos, Arábia Saudita, Alemanha, Belarus, Reino Unido e Polônia. Publicação concentra comentários de apologia ao nazismo. Reprodução/TikTok Em um dos posts identificados pelo g1, um carrossel de fotos exibe a frase em inglês "because I remember you" ("porque eu me lembro de você"), sobreposta a uma imagem que aparenta retratar Adolf Hitler (veja na imagem acima). Nos comentários, também em inglês, aparecem mensagens como "meu herói", "meu líder", "sinto muito a sua falta" e "ele estava fazendo a coisa certa". Em outro caso, em um perfil com conteúdo em português, o g1 identificou uma espécie de "trend" em que usuários faziam referência à morte de Hitler, em 30 de abril de 1945, atribuindo ao episódio um sentido positivo. Publicações com teor semelhante também foram encontradas em inglês e em espanhol (veja na imagem abaixo). Um dos posts dessa conta, publicado em junho de 2025, soma 371 mil visualizações e 46 mil curtidas. Entre os mais de 660 comentários, houve críticas à publicação. "Amigo, mas se o H [Hitler] estivesse vivo, vc não estaria vivo kkkk se toca, vc é latino-americano", escreveu um usuário. 'Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pela IA de Musk Trend no TikTok faz referência à morte de Adolf Hitler Reprodução/TikTok Outro saiu em defesa do conteúdo: "Poxaa, foi só uma brincadeira, humor apenas, fica em paz pq ele com certeza sabe". A resposta veio em seguida: "Humor? HUMOR? Claro, com um cara que matou pessoas pela fé, pela cor, pelo pensamento diferente". "Brincar com a morte de milhões? Não é brincadeira", comentou mais um usuário. No Brasil, exaltar o ideário nazista, usar símbolos, distribuir emblemas ou fazer propaganda da doutrina é crime, com pena de reclusão, conforme a Lei Federal 7.716/1989 (saiba mais ao final da reportagem). Liriam diz que o 30 de abril de 1945 é usado com a intenção de enviar uma mensagem que só quem compartilha dessa visão de mundo entende. Apesar da referência indireta ao suicídio de Hitler e do uso desse tipo de codificação por extremistas, juridicamente, pela lei brasileira, a expressão não pode ser classificada com clareza como antissemita, afirma Yasmin Curzi, professora de direito da FGV e pesquisadora do Karsh Institute of Democracy da Universidade da Virginia, nos EUA. "Eles usam uma estratégia para não entrar na área juridicamente relevante e ficar abaixo do radar da Justiça. As pessoas nesses vídeos evitam algo explícito justamente para não fazer apologia de forma aberta", completa Liriam. Conteúdos explícitos também são encontrados Vídeo postado no TikTok mostra homem dançando com suástica girando ao fundo Reprodução/TikTok Embora boa parte dos perfis recorra a códigos para tentar se resguardar, o g1 encontrou com facilidade publicações explícitas. Ao pesquisar por termos e símbolos associados a movimentos neonazistas, a busca do TikTok não impediu que esse tipo de postagem fosse exibido. Foi assim que o g1 localizou, por exemplo, um vídeo em que um homem aparece dançando com o símbolo da suástica girando ao fundo (veja acima). Esse mesmo perfil ainda traz, na bio, a frase "White Power" (ou "poder branco", em português), expressão comumente associada a grupos supremacistas que defendem a ideia de superioridade de pessoas brancas sobre outras etnias. Outro vídeo encontrado pelo g1 exibe a águia imperial nazista com a cruz de ferro e a frase em inglês "um dia as pessoas vão perceber que ele estava certo" (veja na imagem abaixo). Segundo Yasmin Curzi, o mesmo perfil publicou diversos outros conteúdos explicitamente nazistas. O vídeo em questão acumula pouco mais de 51 mil visualizações, além de mais de 6,7 mil curtidas e 155 comentários. Vídeo postado no TikTok traz a águia imperial nazista com a cruz de ferro. Reprodução/TikTok Em outro momento, ao pesquisar na ferramenta de busca da rede social por um símbolo associado a uma organização paramilitar ligada ao Partido Nazista, o TikTok exibiu o aviso de que "a frase pode estar associada a comportamento ou conteúdo que viola nossas diretrizes". Ainda assim, o mesmo símbolo aparece na bio de um perfil identificado pela reportagem, o que indica que os filtros da plataforma não conseguiram impedir totalmente o uso desse código. No Tiktok, um mesmo termo associado ao nazismo é bloqueado nos resultados de busca, mas é mantido na descrição de um perfil Reprodução/TikTok O TikTok também permite que usuários comentem em publicações com imagens estáticas ou animadas. Na maioria dos vídeos monitorados, aparecem imagens em tom de meme com Adolf Hitler acompanhadas da expressão "Absolute cinema" ou "Cinema absoluto", em português. A frase é bastante popular na internet e costuma ser usada para se referir, de forma elogiosa ou irônica, a cenas de filmes, séries ou novelas consideradas icônicas, de alta qualidade ou com uma pegada cinematográfica. Grupos postam nos comentários do TikTok 'memes' de exaltação a Hitler Reprodução/TikTok Nos dois exemplos acima, as imagens foram publicadas nos comentários de um vídeo antigo que mostra a Alemanha durante o regime nazista. Na imagem à direita, Hitler aparece ainda criança. Além disso, o g1 encontrou inúmeros vídeos com o símbolo de uma caveira que é associado à unidade que administrava os campos de concentração nazistas. "A divulgação (desse símbolo) não é apenas apologia ao nazismo, mas também discurso de ódio antissemita", diz Liriam. Nos três exemplos abaixo onde o símbolo aparece, os vídeos foram exibidos na aba "Para você" do TikTok enquanto o feed era rolado. As publicações surgiram em menos de cinco minutos de navegação. Postagens com símbolo associado ao nazismo Reprodução/TikTok O que diz a lei brasileira A apologia ao nazismo, com o uso de símbolos nazistas, a distribuição de emblemas ou a propaganda do regime, é crime previsto em lei no Brasil, com pena de reclusão. A apologia ao nazismo se enquadra na Lei 7.716/1989, segundo a qual é crime: praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e multa – ou reclusão de dois a cinco anos e multa se o crime for cometido por meio de publicações ou em meios de comunicação social. fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. A lei é respaldada pela própria Constituição, que classifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Isso significa que pode ser julgado e punido a qualquer momento, independentemente do tempo decorrido desde a conduta. Inicialmente, a legislação não mencionava o nazismo de forma explícita, pois era voltada principalmente ao combate ao racismo sofrido pela população negra. As referências diretas ao nazismo foram incluídas em 1994 e 1997, por meio de projetos de lei. "A apologia ao nazismo é racismo, configura crime e viola a Convenção Interamericana contra o Racismo, ratificada pelo Brasil em 2022. Há ampla jurisprudência sobre o tema. Esses posts deveriam ser removidos pelo TikTok e não poderiam ser recomendados ou exibidos sem login, o que amplia sua disseminação", conclui Yasmin. Perfil no TikTok dedicado a conteúdo nazista. Reprodução/TikTok O que diz o TikTok "Os conteúdos compartilhados foram removidos da plataforma por violarem as nossas Diretrizes da Comunidade. Sobre nossas diretrizes de comportamento e discurso de ódio: o TikTok não permite discurso ou comportamento de ódio, bem como a promoção de ideologias de ódio. Nossas Diretrizes da Comunidade proíbem explicitamente: Incentivar a violência, segregação, discriminação ou outros danos contra pessoas com base em atributos protegidos, como raça ou religião. Apoiar ou disseminar ideologias de ódio, o que inclui alegações de supremacia sobre um grupo protegido, antissemitismo ou outras formas de preconceito. O uso de símbolos e imagens associados a movimentos de ódio. Negar ou minimizar atrocidades históricas bem documentadas contra grupos protegidos, como o Holocausto. Aplicação de moderação baseada em nossas diretrizes acerca do tema: Nós treinamos regularmente nossos profissionais de segurança para ajudá-los a aprimorar a detecção de comportamento de ódio, símbolos, termos e estereótipos ofensivos, e para ajudá-los a identificar e proteger o contradiscurso. Consultamos acadêmicos e especialistas de todo o mundo para nos mantermos atualizados sobre as tendências em evolução e para nos ajudar a avaliar e melhorar regularmente nossas políticas e processos de aplicação. Bloqueamos buscas por termos relacionados a ódio ou ideologias de ódio e redirecionamos a busca para as nossas Diretrizes da Comunidade para educar nossa comunidade sobre nossas políticas contra a expressão de ódio. Em nosso Centro de Transparência, publicamos, trimestralmente, um relatório de moderação com os números do período. O mais recente, do terceiro trimestre de 2025, mostra que 98,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas de Segurança e Civilidade – que incluem nossas regras sobre comportamento e discurso de ódio – foram removidos proativamente, sendo que 87% foram removidos antes de receberem qualquer visualização." Colaborou nesta reportagem: Victor Hugo Silva Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas Entenda nova regra que exige confirmação de idade de usuários por sites e aplicativos

  14. Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas Data centers no Brasil poderão deixar de pagar impostos para importar equipamentos avançados caso um projeto discutido no Congresso seja aprovado. Batizado de Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), ele suspende tributos federais ao setor em troca de contrapartidas (saiba mais abaixo). O benefício começou a valer em janeiro por meio de uma medida provisória publicada em 2025 e com validade até quarta-feira (25). Para continuar em vigor, o texto precisa ser transformado em lei. ❓ Um data center ("centro de dados", em inglês) é um local que armazena e processa informações. Entre os tipos, estão os de nuvem (cloud), que operam serviços online, e de inteligência artificial, que treinam modelos de linguagem complexos. Como funciona um data center? E por que ele pode consumir tanta energia e água? Defensores alegam que a suspensão do imposto de importação para data centers fará o Brasil se tornar um polo digital e depender menos da infraestrutura estrangeira. A avaliação é de que o país se tornará mais competitivo se empresas tiverem menos custos para comprar equipamentos avançados, geralmente fabricados na China. Mas críticos apontam que, em vez de trazer melhorias concretas para o país, a medida levará a um consumo desenfreado de energia por essas instalações. Um levantamento feito pelo g1 apontou que quatro projetos de data centers de IA no Brasil poderão ter consumo de energia equivalente ao de 16,4 milhões de casas. LEIA TAMBÉM: Como serão os primeiros data centers de IA no Brasil 'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais TikTok reúne perfis que exaltam Hitler e nazismo com códigos e posts explícitos Inteligência artificial: tecnologia demanda geração colossal de energia elétrica Jornal Nacional/ Reprodução O que é o Redata O Redata é uma política que suspende tributos federais cobrados sobre o faturamento e a importação de equipamentos por data centers. Ela vale para todas as instalações que cumprirem as seguintes contrapartidas: 👥 destinar ao menos 10% da capacidade de processamento para tratar dados do mercado brasileiro; ⚡ consumir somente energia elétrica de fontes limpas ou renováveis; 🔎 destinar 2% do valor dos equipamentos comprados para projetos de pesquisa no Brasil; 💧 manter índice de gasto de água de até 50 mL por quilowatt-hora consumido. A isenção de impostos vale por cinco anos e pode ser suspensa, com exigência de pagamento retroativo, em caso de descumprimento de regras ambientais e de investimentos. Procurado pelo g1, o Ministério da Fazenda disse que é possível observar um aumento do interesse de investidores pelo Brasil como destino para projetos de data centers. "Esse movimento tem sido evidenciado, por exemplo, pelo crescimento no número de pedidos de conexão à rede elétrica e de solicitações de infraestrutura energética, conforme reportado pela imprensa", afirmou, em nota. A pasta afirmou que há diversos projetos que aguardam a consolidação do marco legal para serem implementados, mas que ainda não há impactos concretos para o setor porque a política está em vigor há menos de dois meses. Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos Divulgação/Meta A transformação da medida provisória em uma lei permanente é necessária para dar segurança às empresas investirem, defendeu Eduardo Menossi, fundador da EBM Engenharia, especializada na construção de data centers. "Todo mundo está esperando sem fazer nada porque tem medo de a lei mudar ou de fazer um investimento e a coisa não acontecer. O mercado está parado aguardando", afirmou. Mas o texto atual não tem contrapartidas suficientes para serem cumpridas por empresas, alegou Luã Cruz, coordenador de Telecomunicações e Direitos Digitais do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec). "O governo está fazendo esforço para aprovar algo que não trará grandes benefícios para a ciência e a tecnologia brasileira. E a gente vai continuar dependente dessas grandes infraestruturas", avaliou. Investimento A redução dos impostos é fundamental para permitir que mais empresas construam data centers no Brasil e tornar o país mais competitivo nesta área, disse Menossi. "É muito dinheiro para colocar um data center de pé. Com data centers para cloud, já era um esforço grande. Quando a gente desenha o posicionamento do Brasil para receber data centers de inteligência artificial, a conversa muda de figura", afirmou. Os data centers de IA são mais caros porque exigem um longo treinamento de modelos de linguagem com equipamentos mais avançados, que ficam instalados em armários conhecidos como racks. Segundo Menossi, preencher um rack com equipamentos para um data center de IA custa cerca de quatro vezes o valor de um armário de um data center para cloud. Como processam mais informações, os equipamentos consomem mais energia. Mas, em seu Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, o governo federal defendeu que a ampla oferta de energia renovável é uma das vantagens do país. "Aqui nós temos energia barata, abundante e renovável. Quando temos discussão em termos de custo de energia, o Brasil dá banho em quase todo o mundo", afirmou Menossi, da EBM Engenharia. Data Center: faz diferença ter um por perto? Consumo de energia e água O governo federal reconhece que data centers têm um consumo massivo de energia e estima que, para atender aos novos projetos, a carga energética precisa crescer 600% até 2037. Em espaços voltados para IA, os equipamentos esquentam muito e dependem de um sistema de refrigeração adequado, que pode ser abastecido com água. Para manter o uso de água sob controle, o Redata prevê um índice de eficiência hídrica. As empresas que desejarem a isenção de impostos federais deverão, entre outras exigências, consumir até 50 mL por quilowatt-hora consumido. Projeto do Scala AI City, 'cidade' de servidores que será construída em Eldorado do Sul (RS) Divulgação/Scala Data Centers O Scala AI City, um dos projetos já anunciados para o Brasil, projeta potência de 1.800 megawatts. No limite, um data center poderia seguir com os benefícios do Redata e usar 90 mil litros de água por dia, equivalente ao consumo de cerca de 560 pessoas no Brasil. A comparação leva em conta o consumo diário de 159,9 litros por habitante, segundo dados divulgados em 2024 no relatório do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), vinculado ao Ministério das Cidades. Crise do clima: mundo hiperconectado e IA geram desafio ambiental Soberania Além de reduzir impostos, o Redata prevê a agilização de processos de importação de equipamentos para data centers. Empresas beneficiadas não precisam passar por trâmites tradicionais e, assim, podem receber seus dispositivos mais rapidamente. Para o Ministério da Fazenda, ao reduzir custos e burocracia, o Redata deve tornar mais competitivo o processamento de dados no Brasil em relação a outros países. "Isso pode favorecer a repatriação de dados hoje armazenados no exterior, com a meta de que, até 2030, cerca de 90% dos dados brasileiros estejam hospedados no país, evitando a imposição de desvantagens de custo às empresas nacionais", disse a pasta ao g1. O próprio ministério afirmou em 2025 que o Brasil depende de empresas estrangeiras para tratar 60% de dados do país. Mas o Redata exige que apenas 10% da capacidade de processamento seja destinada ao mercado nacional, o que faz a contrapartida ser considerada insuficiente. "Se é uma política que quer se dirigir ao problema de que dados dos brasileiros são tratados na Virgínia [estado nos EUA que é o maior polo de data centers do mundo], não faz sentido estipular esse mínimo de apenas 10%. Tinha que ser muito maior", disse Cruz. Há ainda críticas sobre temas que o Redata não trata, como instalações a serem construídas próximas a terras indígenas. "Tem alguns pontos que não aparecem: participação social, proteção dos povos indígenas em comunidades tradicionais, consulta prévia no território onde os data centers serão instalados, a questão do barulho. O Redata não fala nada disso". Como funciona um data center por dentro Dhara Assis e Gui Sousa/g1

  15. Por que o Moltbook, rede social das IAs, pode não ser a revolução que promete O agente de inteligência artificial OpenClaw ganhou fama há algumas semanas após ter sido usado para criar o Moltbook, rede social exclusiva para robôs. A ferramenta pode automatizar várias tarefas, mas também é capaz de colocar dados em risco. Um caso revelado nesta segunda-feira (23) indica que o OpenClaw pode ter apagado vários e-mails de uma usuária por engano. A conclusão foi de que o agente alucinou quando deveria analisar as mensagens e indicar quais poderiam ser excluídas. Foi o que relatou Summer Yue, diretora de segurança e alinhamento no time de superinteligência artificial da Meta, controladora do Instagram, do Facebook e do WhatsApp. 🔎 Agentes de IA são programas que executam tarefas de forma autônoma, como fazer compras online ou reservar restaurantes. Ao contrário dos chatbots, os agentes tomam decisões e executam ações sozinhos, em vez de apenas responder ao que é solicitado. O que é 'alucinação' de inteligência artificial IA do Instagram alucina e inventa que banda tem ligação com supremacia branca OpenClaw Reprodução Summer Yue relatou que tinha experimentado o OpenClaw em uma caixa de entrada de testes e que o agente tinha executado a tarefa como previsto. Mas disse que, como sua conta de e-mail tinha muitas mensagens, a instrução foi perdida. "Fiquei confiante demais porque esse fluxo de trabalho estava funcionando na minha caixa de entrada de teste há semanas. Caixas de entrada reais são diferentes", afirmou Yue em sua rede social. "Nada te humilha mais do que dizer ao seu OpenClaw 'confirme antes de agir' e vê-lo deletar sua caixa de entrada em alta velocidade". A interação com o OpenClaw era feita por meio de um aplicativo de mensagens. Ao perceber que as mensagens estavam sendo apagadas, Yue tentou interromper o funcionamento da IA. "Não faça isso" e "OpenClaw, pare" foram alguns dos comandos para tentar impedir o agente, o que não foi possível. A saída foi desativar a exclusão dos e-mails no dispositivo em que a inteligência artificial estava hospedada. "Tive que correr para o meu Mac mini [computador da Apple] como se estivesse desarmando uma bomba", afirmou. Em seguida, o OpenClaw disse ter aprendido a lição e que não faria mais longas rodadas de limpeza de e-mails. O agente admitiu ainda que violou uma regra que Yue tinha estabelecido de não tomar nenhuma ação sem a autorização dela. "Você tem razão em estar chateada. Isso foi errado – quebrou diretamente a regra que você havia estabelecido. Me desculpe. Não acontecerá novamente", disse a ferramenta. 'Openclaw, pare': executiva da Meta fez várias tentativas para impedir agente de IA de apagar seus e-mails Reprodução O gerenciamento de e-mails é justamente uma das tarefas que usuários do OpenClaw mais destacam sobre a ferramenta. A ferramenta também pode ser usada para lidar com contratos, enviar mensagens e controlar luzes inteligentes, por exemplo. O agente chamou atenção pela quantidade de ações que é capaz de automatizar e pela possibilidade de centralizar informações de vários serviços em um só lugar, o que pode aumentar a produtividade de seus usuários. Mas as permissões amplas que a ferramenta precisa para agilizar certas tarefas é um dos pontos que levanta preocupações. E, caso o comando seja mal interpretado, o prejuízo pode ser enorme. LEIA TAMBÉM: Críticas aos humanos, livre-arbítrio, religião: o que robôs comentam no Moltbook, rede social só para IAs Moltbook, rede social das IAs, faz robôs conversarem entre si, mas o quanto disso é real? 'Não dá pra viver sem VPN': como brasileiros na Rússia driblam restrições às redes sociais Caricatura no ChatGPT: como transformar sua foto em desenho com a IA Moltbook: o que é real e o que é exagero na rede social pra agentes de IA?


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O Blog do Anísio Alcântara foi publicado no dia 25 de Março de 2012