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Especialistas acreditam que os clipes sofisticados gerados por IA podem representar uma forma poderosa de diplomacia na internet que veio para ficar
EXPLOSIVE MEDIA
Em meio a um confronto direto do Irã com Estados Unidos e Israel, disputas militares e tensões diplomáticas começaram a ser retratadas como desenhos animados, vídeos satíricos e cenas fictícias criadas com auxílio da tecnologia.
A intenção é controlar a informação, confundir a população e projetar uma imagem de força que nem sempre corresponde à realidade no terreno.
As redes sociais estão cheias de vídeos inteiramente fabricados: ataques militares que nunca aconteceram, cidades inimigas em chamas, líderes ocidentais ridicularizados ou humilhados. Conteúdos pensados para gerar uma sensação de controle, poder e vitória militar, ainda que fictícia.
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O avanço da tecnologia facilitou esse processo. Hoje, é possível criar cenários imaginários em poucos minutos.
Líderes políticos, como o presidente norte-americano Donald Trump, são transformados em personagens de produções artificiais que rapidamente viram memes globais e circulam pelo mundo, muitas vezes republicados por canais oficiais.
A inteligência artificial também passou a ser usada para encenar futuros alternativos. Um vídeo viral, criado fora do governo americano, mas compartilhado por Donald Trump, transformava Gaza em um resort virtual.
A Rússia recorre à mesma tecnologia para fabricar vídeos de rendições e derrotas do exército ucraniano que nunca ocorreram. Nessas produções, não há limites para a criatividade.
Estratégia não é nova
Apesar das novas ferramentas, a estratégia está longe de ser inédita. O uso da animação como propaganda política e militar já existia antes da Segunda Guerra Mundial, durante a Primeira Guerra e no período entre guerras.
Foi, no entanto, durante a Segunda Guerra Mundial que esse tipo de produção passou a ser utilizado de forma massiva e estratégica por governos, especialmente nos Estados Unidos, na Alemanha nazista, no Japão e na antiga União Soviética.
A animação deixou de ser apenas entretenimento para se tornar uma arma poderosa da propaganda. Regimes autoritários, como o de Adolf Hitler, usaram desenhos animados para manipular emoções, mobilizar massas e fabricar inimigos.
Do outro lado do conflito, os Estados Unidos chegaram a contratar estúdios como Walt Disney e Warner Bros. para produzir animações contra o nazismo, o fascismo e o militarismo japonês. No Japão imperial, longas-metragens animados glorificavam os exércitos. Durante a Guerra Fria, personagens ajudaram a difundir ideologias rivais.
Entre arquivos históricos e a nova estética algorítmica, a propaganda política continua se adaptando às linguagens da cultura de massa. Com a inteligência artificial, essas produções se tornaram mais baratas, mais rápidas e muito mais fáceis de espalhar.
Canal pró-Irã que viralizou com vídeos em IA contra Trump é suspenso pelo YouTube
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Guerra como produto "consumível"
Especialistas apontam os vídeos fabricados pelo Irã como parte de uma guerra de narrativas, hoje travada principalmente no ambiente digital. Histórias leves, compartilháveis e aparentemente inofensivas, que suavizam a violência, infantilizam o inimigo e transformam os horrores do conflito em um produto consumível.
Para Matheus Soares, coordenador do Aláfia Lab, laboratório de pesquisa brasileiro dedicado a estudar a relação entre tecnologias digitais, comunicação, política e sociedade, esse tipo de estratégia reflete uma transformação mais profunda na lógica dos conflitos.
“Propagandas de Estados, especialmente em contextos de conflito, sempre existiram. Mas o que a gente vem percebendo nos últimos anos é que essas guerras estão sendo travadas não só nos territórios, mas principalmente nas redes sociais”, afirma.
Segundo o pesquisador, governos tentam desmoralizar o inimigo e, ao mesmo tempo, confundir o debate público para conquistar apoio popular às suas causas.
“Nesse contexto, a inteligência artificial surge como mais uma camada da comunicação política, facilitando a criação de vídeos e animações que têm o objetivo de viralizar e engajar nas redes”, explica.
Esses conteúdos passaram a ser chamados de “slopaganda”, em referência ao termo AI slop, usado para definir vídeos gerados por inteligência artificial que são engraçados, toscos ou sem muito sentido, mas com alto poder de circulação.
“É por meio do engajamento desses vídeos fofos, engraçados e aparentemente inofensivos que governos conseguem driblar as políticas de moderação das plataformas e distribuir suas narrativas não só para seus próprios cidadãos, mas para pessoas ao redor do mundo”, diz Soares.
Sem compromisso com a realidade, essas produções apostam no impacto emocional. “Esses vídeos têm o objetivo de engajar, de tocar o emocional das pessoas, fazendo com que sintam raiva ou ódio do inimigo, mas também orgulho pela causa e pelo lado que escolheram no conflito”, conclui.
Nesse cenário, a credibilidade passa a valer menos do que um clique. A ausência de verdade corre o risco de parecer apenas uma brincadeira.
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O piloto Artur Rodionov diz que a falsificação de sinais de GPS se tornou uma ocorrência comum com a qual ele precisa lidar
Artur Rodionov/Acervo pessoal
Um avião da Força Aérea Real Britânica (RAF), que transportava o Secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, sobrevoava a Estônia perto da fronteira com a Rússia na semana passada quando algo estranho aconteceu.
De acordo com dados de voo analisados pelo Serviço Mundial da BBC, o transponder da aeronave repentinamente começou a indicar que ela estava em território russo, a 300 quilômetros de distância de onde estava segundos antes.
Supostamente, o avião estava voando a apenas 11 quilômetros por hora sobre um lago perto de São Petersburgo. Mas nada disso era verdade. O sistema de navegação da aeronave havia sido afetado por um ataque cibernético. Isso ocorre quando uma área é inundada por sinais de rádio que imitam os de GPS.
Sistema de GPS de avião de chefe da UE sofre pane no ar, e há suspeita de interferência russa
Como os sinais de satélite são relativamente fracos quando chegam à Terra, um transmissor terrestre pode emitir sinais falsificados mais fortes, que podem ser captados por sistemas de navegação, incluindo os de aeronaves.
A prática, conhecida como spoofing, é normalmente realizada por militares que buscam reduzir a precisão de armas inimigas que usam navegação por GPS, como mísseis de longo alcance e pequenos drones.
Muitas forças armadas possuem unidades especializadas que constroem transmissores em bases fixas ou os instalam em veículos. Mas voos comerciais agora estão sendo afetados por essa guerra eletrônica.
Pilotos da Força Aérea Real foram forçados a guiar a aeronave usando um sistema de navegação mais antigo e menos preciso, que opera em paralelo com o GPS. O Ministério da Defesa britânico declarou que a segurança da aeronave não foi comprometida.
Na verdade, não foi a única aeronave na área afetada naquele dia. Dados compartilhados com a BBC pela consultoria de aviação SkAI Data Services mostram que mais de cem aeronaves com passageiros a bordo estavam transmitindo localizações incorretas como resultado de falsificação de sinal.
Os mesmos dados indicam que a falsificação e o bloqueio de sinal — outro tipo de interferência que mascara os sinais de satélite para impedir o funcionamento do GPS — estão se tornando cada vez mais comuns em áreas próximas a zonas de guerra ou onde há muita atividade militar, como a região do Mar Báltico, o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho, a Índia, o Paquistão e a área ao redor de Mianmar.
A falsificação de identidade é geralmente realizada por militares que buscam reduzir a precisão de armas inimigas que utilizam navegação por GPS, como mísseis de longo alcance e pequenos drones
Getty Images
No Golfo Pérsico, por exemplo, houve um aumento repentino no número de voos que relataram falsificação de GPS após o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Em março, 5.381 voos relataram falsificação, um aumento em relação aos 99 de fevereiro e aos 14 de janeiro, segundo a SkAI Data Services.
Os casos na região do Báltico dispararam de 17.243 em 2024 para 59.447 em 2025, ainda de acordo com a SkAI Data Services.
Esse aumento coincide com o crescente uso de ataques com drones no conflito entre a Rússia e Ucrânia.
Outras rotas aéreas movimentadas na Europa, no Oriente Médio e na Ásia também sofreram com falsificação ou interferência de GPS, com uma média de mais de 800 voos afetados diariamente em todo o mundo neste ano.
Considerando que a tecnologia necessária para isso é facilmente encontrada na maioria dos países, especialistas temem que esse fenômeno se torne generalizado.
Falsificação atrapalha mesmo pilotos experientes
Este foi o problema que o piloto britânico Sam Rutherford enfrentou quando pilotava um avião de quatro lugares da Arábia Saudita para Omã no mês passado.
Quando estava próximo da fronteira entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, os sistemas de navegação e o piloto automático pararam de funcionar.
A princípio, ele pensou que poderia ser um problema com o avião, mas várias companhias aéreas na região relataram o mesmo problema.
Descobriu-se que tanto a falsificação dos sinais do GPS quanto o bloqueio das ondas estavam afetando sua aeronave.
Rutherford, que pilotou helicópteros no Exército Britânico por oito anos, usou a bússola magnética de seu avião e contatou o controle de tráfego aéreo para obter ajuda na navegação até seu destino.
Embora tenha pousado em segurança, ele afirma: "Se eu tivesse encontrado mau tempo, pouco combustível e fosse noite, a situação teria sido muito diferente".
Sistema de navegação da aeronave pode apresentar mau funcionamento devido à falsificação de sinal GPS
Getty Images
Os riscos da falsificação
Um dos riscos da falsificação de sinais de navegação é que, ao serem levados a acreditar que estão em uma posição diferente da real, os pilotos podem acabar desativando ou ignorando os alertas dos sistemas de prevenção de colisão com o solo, afirma Tanja Harter, presidente da European Cockpit Association, entidade que representa cerca de 40 mil pilotos.
Esse sistema alerta os pilotos quando identifica risco iminente de colisão com o solo ou com obstáculos, como montanhas.
Harter afirma que há inúmeros relatos de pilotos recebendo alertas falsos para ganhar altitude, mesmo quando a aeronave voa a 37 mil pés (cerca de 11,3 mil metros).
Sistemas de radar que ajudam as aeronaves a evitar condições climáticas adversas também podem apresentar mau funcionamento, acrescenta.
Embora muitas companhias aéreas façam um bom trabalho ao fornecer informações aos pilotos, Harter diz que a combinação desses problemas "está comprometendo a segurança a bordo das aeronaves".
O piloto Artur Rodionov conta que um "salto da Lituânia para o Mar do Norte" foi a maior discrepância entre a realidade e a localização exibida na tela que ele já presenciou. "São mais de 1.600 quilômetros", diz Rodionov, que pilota pequenos aviões de passageiros para a empresa de fretamento estoniana Diamond Sky Aviation.
Em resposta a essas ocorrências, Rodionov conta que sua empresa desenvolveu protocolos para lidar com a falsificação de sinal, incluindo a desativação do GPS pelos pilotos ao sobrevoarem áreas conhecidas por interferências.
Isso permite que o piloto monitore se os sinais da aeronave estão sendo falsificados, evitando que o restante do equipamento de navegação seja afetado.
Rodionov afirma que a falsificação de sinal pode causar problemas especialmente para pilotos inexperientes ou quando as aeronaves apresentam outros problemas, como uma pane mecânica ou falha de equipamento. "Sem dúvida, isso representa uma carga de trabalho adicional", conclui.
Interferências permitidas
Não é ilegal que países interfiram no GPS.
O órgão das Nações Unidas (ONU) que regula os sinais de radiodifusão, a União Internacional de Telecomunicações, autoriza a prática para fins de segurança ou defesa, embora tenha expressado a sua "profunda preocupação" com o fato de a sua utilização generalizada estar ameaçando a segurança das aeronaves.
A instituição europeia de segurança da navegação aérea, Eurocontrol, afirma que as aeronaves têm "medidas de mitigação em vigor para garantir a manutenção da segurança" durante a falsificação de sinais e que a tecnologia de navegação aérea e o controle de tráfego em terra podem guiar a aeronave.
Os fabricantes de aeronaves estão trabalhando com os fornecedores da aviação para encontrar soluções técnicas contra a falsificação de sinais, acrescenta a Eurocontrol.
Mas a BBC apurou que há indícios de que as organizações da aviação, incluindo a Eurocontrol, estão mais preocupadas.
Em uma apresentação identificada como "não destinada ao público geral", à qual a BBC teve acesso, há um alerta de que a falsificação de sinais "mina os princípios atuais de segurança da cabine de comando".
Especialistas do setor sugerem que existe uma urgência maior em encontrar uma solução para o problema do que a reconhecida publicamente. "As companhias aéreas estão clamando por melhorias", diz Todd Humphreys, professor de engenharia aeroespacial da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.
"O que teremos que fazer é desenvolver novas tecnologias muito mais resilientes", acrescenta.
A navegação por barcos e carros também pode ser afetada
Getty Images
Soluções possíveis
Possíveis soluções incluem a atualização do software das aeronaves para filtrar interferências, o uso de antenas direcionais para que os equipamentos possam ignorar sinais falsificados vindos do solo e sistemas de navegação totalmente novos que funcionem em conjunto com o GPS.
Mas implementar mudanças em equipamentos críticos para a segurança pode levar tempo. Humphreys alerta que não é apenas o transporte marítimo comercial que pode ser afetado por falsificação e bloqueio de GPS. Isso pode impactar até mesmo aplicativos de mapas para celulares.
"Trata-se do tráfego marítimo, das pessoas dirigindo nas estradas", diz ele. "Sempre que um conflito eclodir no futuro, podemos esperar que o GPS seja uma das primeiras vítimas."
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Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026
Reuters/Carlos Barria
Os empresários mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) começaram a moderar o tom de previsões alarmistas sobre um suposto desemprego em massa causado pela tecnologia, em meio ao aumento da resistência pública às transformações prometidas para o mercado de trabalho.
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Os CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da OpenAI, Sam Altman — cujas declarações anteriores ajudaram a alimentar preocupações sobre os impactos da IA na sociedade — agora afirmam que parte dos alertas apocalípticos foi exagerada ou até oportunista.
Em entrevista à Channel News Asia na segunda-feira (25), Huang criticou diretamente executivos que associam demissões recentes ao avanço da IA.
“A narrativa que vincula a IA à perda de empregos, para muitos CEOs, é simplesmente conveniente demais”, afirmou.
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“A IA acabou de chegar. Como é possível que já estejam perdendo empregos por causa dela?”, questionou Huang, que há anos defende que a tecnologia criará tantos postos de trabalho quanto eliminará.
O executivo também rebateu previsões mais catastróficas do setor e disse que a recente onda de demissões em grandes empresas não foi provocada pela inteligência artificial.
“Como é possível que a IA tenha se tornado realmente útil há apenas seis meses e, ainda assim, empresas digam que demitem pessoas por causa dela há dois anos? Isso não faz sentido”, declarou.
“Era apenas uma forma de parecerem espertos, e eu detesto isso profundamente. Estamos assustando as pessoas de forma irresponsável”, acrescentou.
Mea-culpa de Altman
Na semana passada, o banco britânico Standard Chartered anunciou planos para cortar milhares de empregos até 2030, alegando que a inteligência artificial substituirá funcionários em diversas funções administrativas.
Já a empresa responsável pelo Snapchat eliminou mil vagas no mês passado, afirmando que a IA aumentou a eficiência operacional enquanto a companhia busca rentabilidade.
Sam Altman, CEO da OpenAI, também recuou parcialmente de previsões anteriores. Durante a conferência Accelerate AI, promovida pelo Commonwealth Bank of Australia em Sydney, ele afirmou que o avanço da IA não provocará o “apocalipse do emprego” previsto por parte da indústria — incluindo a própria OpenAI.
“Eu achei que já teríamos visto um impacto maior sobre cargos executivos de nível inicial do que realmente ocorreu”, disse Altman, segundo o jornal The Australian.
“Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu — felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, completou.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também suavizou o discurso. Recentemente, ele afirmou que, mesmo em um cenário em que 90% dos empregos sejam automatizados, os 10% restantes continuariam nas mãos de trabalhadores humanos, que seriam muito mais produtivos com o apoio da IA.
Amodei há anos é alvo de críticas de rivais do setor, que o consideram excessivamente pessimista em relação aos riscos da tecnologia, apesar do sucesso comercial da Anthropic.
No ano passado, Huang chegou a afirmar que discorda “de quase tudo o que ele diz”, em referência ao executivo.
As mudanças de discurso de Altman e Amodei ocorrem em um momento em que OpenAI e Anthropic se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa, operações que dependem de forte apoio de investidores.
Enquanto isso, o tom alarmista adotado anteriormente por parte da indústria começa a gerar reação negativa. Pesquisas de opinião indicam crescente desconforto do público — especialmente nos Estados Unidos — com a possibilidade de uma transformação profunda do mercado de trabalho impulsionada pela IA.
Nesta quarta-feira (27), a governadora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Lisa Cook, alertou que os efeitos mais profundos da inteligência artificial sobre o emprego ainda podem estar por vir.
“Podemos estar nos aproximando da reorganização do trabalho mais importante em gerações”, afirmou durante discurso na Universidade Stanford.
Segundo Cook, as perdas de empregos relacionadas à IA podem ocorrer antes que os ganhos prometidos pela tecnologia se concretizem, embora a perspectiva de longo prazo continue sendo considerada positiva.
Até o momento, porém, a maioria das instituições econômicas — entre elas o Banco Central Europeu — avalia que os impactos da inteligência artificial sobre o emprego seguem limitados.
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Ministra Esther Dweck visita CPQD para anúncio de resultados de projeto sobre IA
O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), em Campinas (SP), terá um núcleo para desenvolver aplicativos com uso de Inteligência Artificial (IA) para serviços públicos federais. O investimento será de cerca de R$ 60 milhões.
A pedra fundamental, que marca a criação da estrutura física, foi lançada durante evento nesta sexta-feira (29), no CPQD, com a presença da ministra de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. O local deverá começar a funcionar até o fim deste ano.
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O objetivo é que os novos aplicativos com suporte de IA façam o atendimento ou facilitem o acesso da população ao solicitar serviços por meio da plataforma GOV.BR.
"A gente vai ter um governo que vai chegar à população de forma personalizada, vai chegar de forma proativa, vai poder interagir com as pessoas, falar muito mais rápido. Vai aumentar a produtividade do setor público em números inimagináveis. É o início de uma transformação gigantesca para a nossa população", comentou a Dweck.
Além disso, o núcleo guardará e processará dados sensíveis de usuários, como cadastros de pessoas em programas do governo. Atualmente, essas informações estão hospedadas em nuvens internacionais.
Ambiente computacional
Pedra fundamental do novo núcleo foi lançada nesta sexta
CPQD/Divulgação
O prédio que abrigará o núcleo já existe, mas, segundo o CPQD, será reformado, adequado e receberá novos equipamentos, entre eles unidades de processamento gráfico (GPUs).
O local terá operação semelhante a um laboratório, no qual serão desenvolvidos modelos de linguagem e ferramentas com IA Generativa. Também serão feitos tratamentos de grandes volumes de dados para treinamento de algoritmos.
Isso deverá impactar diretamente os aplicativos disponibilizados ao público e integrados ao GOV.BR. A pessoa que precisar de um serviço do governo federal acessará o aplicativo e conversará com robôs (chatbots) treinados por IA.
As ferramentas ainda usarão a IA em barras de pesquisa e processamento de dados. De acordo com o CPQD, isso irá atender à realidade da população brasileira, principalmente usuários com baixa maturidade digital.
"A inovação não é só tecnologia, mas é também tecnologia e essa parceria aqui vai nos permitir ter quase 350 pesquisadores desenvolvendo soluções para governos. Vai começar no governo federal, mas rapidamente vai se espalhar para todo o setor público brasileiro", disse Dweck.
No caso do processamento de dados, a ministra ressaltou que há uma questão de "soberania tecnológica". Isso porque as informações cadastrais de usuários estão, hoje, hospedadas em nuvens internacionais. Com o núcleo, elas passariam a ser guardadas e processadas dentro do Brasil.
"A gente fala que a soberania digital tem três níveis. A de dados, a gente já vinha trabalhando nisso, de repatriar os dados brasileiros, de poder saber onde os nossos dados estratégicos estão. A gente já estava num outro processo de operação, de conseguir acessar os dados, de conseguir operar", ponderou Dweck.
"E tem um terceiro que é tecnológico. Essa é a mais difícil. E aqui, esse é um projeto de soberania tecnológica, digital tecnológica. Isso realmente é um terceiro passo, um dos mais difíceis de se fazer num país em desenvolvimento, mas o Brasil tem capacidade, justamente porque a gente tem um grande sistema de inovação", finalizou.
Atendimentos com IA já implantados
Evento apresentou resultados do projeto Inspire
CPQD/Divulgação
O núcleo irá se integrar ao projeto Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética). A parte criativa do projeto, que são as novas ferramentas com uso de IA para oferecer serviços públicos personalizados, será elaborada, guardada e processada no núcleo.
Mesmo sem a estrutura física, o Inspire completou sete meses e já implantou três chatbots em serviços do governo federal, conforme balanço divulgado durante o evento desta sexta:
Chatbot de Atendimento GOV.BR: desenvolvido para tirar dúvidas e dar suporte ao usuário por um único canal inteligente. Na fase de testes, a solução chegou a cerca de 2 mil atendimentos digitais por dia. A maior parte das interações teve como foco a solução de dúvidas e informações sobre recuperação de conta GOV.BR, autenticação em duas etapas, reconhecimento facial e uso do aplicativo.
Chatbot SISU (Sistema de Seleção Unificada)/Jornada do Ensino Médio: lançado em janeiro de 2026 para apoiar estudantes durante o processo do SISU, Enem, Prouni e FIES, o chatbot foi preparado para oferecer orientações sobre matrículas, vagas, calendário e outros serviços associados ao MEC. Atende um universo potencial de 4,2 milhões de usuários inscritos no Enem.
Chatbot Vacinação/Farmácia Popular: permite obter informações e esclarecer dúvidas sobre campanhas de vacinação realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), bem como sobre Farmácia Popular e outras iniciativas do Ministério da Saúde.
Outra medida do projeto foi a criação de uma infraestrutura de IA para processar e qualificar 77 milhões de registros de endereços de pessoas no país.
"Além de endereços diferentes da mesma pessoa, armazenados em bases de dados de órgãos de governo distintos, encontramos duplicações e inconsistências, por exemplo, na grafia de nomes de ruas", contou Paulo Curado, diretor responsável pelo Inspire no CPQD.
"Ter o endereço correto das pessoas, disponível para todos os órgãos do governo, é essencial para políticas públicas que dependem desse dado para o pagamento de determinados benefícios”, explicou.
Projeto vai usar IA em serviços do governo federal
CPQD/Divulgação
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Nave da Blue Origin explode durante teste na plataforma de lançamento
A nave New Glenn, uma das mais poderosas do mundo, explodiu nesta quinta-feira (28) na base de lançamentos da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos (veja no vídeo acima).
A explosão aconteceu por volta das 22h (horário de Brasília), enquanto o veículo espacial passava por uma ignição estática dos motores, procedimento realizado com a nave ainda presa à plataforma.
Segundo a Blue Origin, foi registrada uma "anomalia" durante a operação. A empresa afirmou que todos os funcionários estão em segurança e disse que divulgará novas informações à medida que apurar os detalhes do incidente.
Explosão de nave da Blue Origin em base de lançamento na Flórida, em 28 de maio de 2026
Reprodução/NasaSpaceFlight
A atividade fazia parte dos preparativos para a missão NG-4, anunciada pela companhia na quarta-feira (27). O plano era usar a New Glenn para colocar em órbita os primeiros 48 satélites da Amazon Leo, rede semelhante à Starlink, de Elon Musk.
Na ocasião, o CEO da Blue Origin celebrou o anúncio da missão. "Missão empolgante chegando. Não poderia estar mais orgulhoso de apoiar a equipe Leo nesta missão", afirmou.
Projetada para realizar voos de longa duração, a New Glenn é a principal concorrente da Starship, nave desenvolvida pela SpaceX.
Antes do incidente desta quinta, o veículo da Blue Origin já havia realizado três voos de teste sem tripulantes. O primeiro ocorreu no início de 2025, quando transportou um protótipo de outra espaçonave criada para implantar satélites no espaço.
O segundo teste aconteceu em novembro de 2025 e serviu para enviar sondas projetadas para chegar a Marte em 2027. A viagem foi encomendada pela Nasa e ficou marcada como a primeira missão comercial da nave da Blue Origin.
O terceiro experimento foi realizado em abril de 2026. Foi a primeira vez que a empresa reutilizou um propulsor, façanha que acirrou a rivalidade com a SpaceX.
Musk e Zuckerberg viram cães-robôs que fazem 'cocô artístico' em museu
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Discord: o que é a rede social usada para cometer crimes contra adolescentes?
Uma empresária é suspeita de torturar e matar animais esmagando-os com os pés e as mãos para vender vídeos no Discord. Ela foi presa na quinta-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo, mas acabou sendo solta horas depois.
Segundo as investigações da Polícia Civil de São Paulo, Daiana Schuinsekel de Almeida gravava as agressões a animais e vendia os vídeos na plataforma para pessoas de países da Europa. Nas imagens, a mulher aparece esmagando os animais com os pés e as mãos.
De acordo com informações da TV Globo, os celulares de Daiana não puderam ser acessados. Com isso, não houve flagrante e a suspeita foi liberada. Ela vai responder em liberdade pelos crimes de maus-tratos e atos obscenos.
Mas, afinal, o que é o Discord?
O Discord é uma plataforma de comunicação digital que permite que os usuários conversem por meio de mensagens de texto, voz e vídeo.
No Brasil, a rede social diz que só permite acesso para adolescentes a partir dos 13 anos.
O aplicativo é usado principalmente por adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo, e, inclusive, foi desenvolvido com esse propósito.
Discord
Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr
Segundo o site oficial do Discord, os empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy criaram a plataforma em 2015 em busca de uma “maneira confiável de conversar enquanto jogavam on-line”.
Por meio de transmissões ao vivo de vídeos, os usuários assistem, participam dos jogos e fazem comentários.
"O Discord é uma experiência multimídia. Você pode usá-lo para transmitir vídeos, jogar jogos de tabuleiro a distância, ouvir música em grupo e, simplesmente, passar tempo juntos", descreve a revista norte-americana de tecnologia Wired.
Vale destacar que, apesar de ser difundido pelo público adolescente, o Discord também é usado para trabalhar e fazer cursos, por exemplo.
Segundo a Wired, a plataforma conquistou ainda mais usuários durante a pandemia, momento em que conseguiu alcançar grupos além dos gamers.
Em 2025, o Discord tinha 200 milhões de usuários mensais globalmente, dos quais 93% jogam on-line, segundo o próprio aplicativo.
O Discord é pago? A versão básica do Discord é gratuita, mas a plataforma oferece planos pagos, chamados de “Nitro”. Eles incluem vantagens como a criação de emojis personalizados e o envio de arquivos maiores.
Usado para cometer crimes contra menores
Agressores têm se aproveitado das transmissões em vídeo ao vivo da plataforma para, por exemplo, chantagear vítimas a cumprir desafios sob a ameaça de ter fotos íntimas vazadas, conforme reportagem do Fantástico mostrou em maio de 2023.
“É importante que fique muito claro que não se trata de desafios que estão sendo praticados por adolescentes. Trata-se de criminosos, a grande maioria maiores de idade, que utilizam a insegurança dessa plataforma em relação a crianças e adolescentes para praticar crimes gravíssimos contra essas meninas”, diz a promotora Maria Fernanda Balsalobra em reportagem para o Fantástico no mesmo ano.
A plataforma se tornou um ponto de encontro para propagadores de narrativas de contracultura, como o movimento incel (celibatário involuntário), grupos de hackers e investidores em criptomoedas, segundo a agência DW.
Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, explica que o Discord é um ambiente propício para esse tipo de situação por uma combinação de fatores:
foi criado para o público gamer, por isso, é muito conhecido pelos jovens;
permite formar grupos privados com facilidade, ao contrário de redes sociais que priorizam conteúdos públicos;
a moderação é descentralizada. São os criadores das comunidades que fazem a maioria da moderação dos usuários e das mensagens de cada comunidade, dificultando o controle.
'Central da Família'
Em setembro de 2023, o aplicativo lançou a ferramenta "Central da Família" (ou "Family Center", em inglês), que permite que responsáveis sejam informados sobre parte das atividades de seus filhos na plataforma.
A ferramenta permite que os responsáveis saibam com quais usuários seu filho adolescente está conversando e de quais comunidades do Discord ele participa. No entanto, eles não podem ver o conteúdo dessas conversas.
A empresa orienta que a ativação da Central da Família seja feita junto com o filho adolescente, já que a atividade da conta não será compartilhada sem a aprovação dele. Veja o passo a passo:
Para ativar a ferramenta, é necessário que você tenha o aplicativo Discord no celular.
No aplicativo, você vai acessar a opção "Central da Família", que pode ser encontrada em "Configurações do usuário".
Então, clique em "ativar Central da Família".
Nessa etapa, o adolescente vai precisar fornecer a você o código QR que será gerado no aplicativo dele. Ele fica disponível na guia da "Central da Família", na opção "Conectar com o pai".
Você deve escanear o código fornecido pelo seu filho com seu aplicativo Discord.
Depois que o adolescente aceitar a conexão, os dois terão acesso total à Central da Família.
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Estupro virtual: abusadores usam fotos falsas para chantagear vítimas
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A Anthropic informou nesta quinta-feira (28) que arrecadou US$ 65 bilhões (R$ 328 bilhões) em uma nova rodada de financiamento. Com isso, a empresa responsável pelo Claude passou a ser avaliada em US$ 965 bilhões (R$ 4,87 trilhões), superando pela primeira vez sua rival OpenAI antes de uma esperada abertura de capital.
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Fundada em San Francisco por ex-funcionários da OpenAI, a Anthropic quase triplicou seu valor de mercado em apenas três meses. Em fevereiro, a empresa havia sido avaliada em US$ 380 bilhões (R$ 1,9 trilhão).
A nova rodada foi liderada pelos fundos Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital. O pacote também inclui US$ 15 bilhões (R$ 75,7 bilhões) em aportes já anunciados por empresas de computação em nuvem, entre elas a Amazon, que respondeu sozinha por US$ 5 bilhões (R$ 25,2 bilhões).
"Esses recursos nos ajudarão a atender à demanda histórica que estamos experimentando, permanecer na vanguarda da pesquisa e levar o Claude a mais ambientes de trabalho", declarou Krishna Rao, diretor financeiro da Anthropic.
Agora no g1
A Anthropic afirma que sua receita anualizada — uma projeção baseada no desempenho recente da empresa — ultrapassou US$ 47 bilhões. Em fevereiro, quando realizou a rodada anterior de financiamento, esse número era de US$ 14 bilhões (R$ 70,7 bilhões).
O avanço reflete a rápida adoção de ferramentas voltadas a empresas, como o Claude Code, assistente de programação desenvolvido pela companhia.
A estratégia da Anthropic difere da adotada inicialmente pela OpenAI. Enquanto a dona do ChatGPT ganhou espaço primeiro entre consumidores, a Anthropic concentrou esforços em soluções voltadas ao mercado corporativo.
O crescimento acelerado, porém, também aumentou a pressão sobre a infraestrutura da empresa. A Anthropic enfrenta dificuldades para atender à demanda por capacidade computacional diante da escassez global de chips e servidores.
Para ampliar sua estrutura, a companhia fechou recentemente acordos com Amazon, Google e Broadcom para garantir mais capacidade de processamento, além de uma parceria com a SpaceX, empresa de Elon Musk.
Agora avaliada acima da OpenAI — que atingiu US$ 852 bilhões (R$ 4,3 trilhões) em sua última rodada de financiamento, realizada em março —, a Anthropic passou a ser apontada por analistas como uma das candidatas a abrir capital ainda neste ano.
A OpenAI também se prepara para avançar em seus planos de abertura de capital, segundo veículos internacionais. Já a SpaceX divulgou sua documentação preliminar na semana passada, em meio às expectativas de uma das maiores estreias recentes no mercado financeiro.
Anthropic e Departamento de Guerra dos EUA
Reuters/Dado Ruvic/Illustration
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Criança no celular
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Garantir a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital é uma “prioridade urgente”, afirmou nesta sexta-feira (29) a Organização das Nações Unidas (ONU), ao alertar para as limitações de restrições etárias aprovadas recentemente em diferentes países.
Segundo o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, os abusos online estão ligados ao próprio funcionamento das plataformas digitais. Em comunicado, ele criticou recursos considerados viciantes, como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e notificações constantes.
“Os abusos online são resultado de decisões de design e práticas comerciais que comprometem a segurança”, afirmou Türk. “Reforçar a proteção das crianças online é uma prioridade urgente, mas isso precisa ser feito da maneira correta”, acrescentou.
Mais de 10 milhões de crianças em países de baixa e média renda já sofreram abuso sexual na internet
Agora no g1
O representante da ONU defendeu que governos e empresas adotem medidas mais amplas e eficazes. Para ele, restringir o acesso de menores a plataformas consideradas perigosas “não pode ser um fim em si mesmo” se os aplicativos continuarem operando com algoritmos e mecanismos que incentivam o uso excessivo.
A Austrália proibiu, em 2025, o acesso de menores de 16 anos a várias redes sociais, medida que despertou o interesse de outros países. Na França, o Senado aprovou um projeto de lei para proibir o uso dessas plataformas por menores de 15 anos.
Türk, no entanto, afirmou que focar apenas em limites de idade não altera os sistemas e modelos de funcionamento que tornaram as plataformas nocivas para crianças e adolescentes. Segundo ele, as empresas de tecnologia devem incorporar mecanismos de proteção “desde a concepção” dos produtos, em vez de transferir a responsabilidade para pais e usuários.
O alto comissário também alertou que as proibições podem ser facilmente contornadas e demonstrou preocupação com a possibilidade de que menores migrem para plataformas ainda mais arriscadas e menos supervisionadas.
O escritório de Direitos Humanos da ONU publicou dez diretrizes para ampliar a segurança de crianças e adolescentes na internet. Entre as recomendações, está a adoção automática de configurações máximas de proteção de dados para menores. O documento também defende que a microsegmentação de crianças para fins comerciais, baseada em rastros digitais, não seja permitida.
Criança brinca com celular em Ribeirão Preto, SP telas ansiedade
Reprodução/EPTV
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Nave da Blue Origin explode durante teste na plataforma de lançamento
O bilionário Elon Musk, dono da empresa de tecnologia espacial SpaceX, repercutiu a explosão da nave New Glenn, da concorrente Blue Origin, Jeff Bezos. A SpaceX e Blue Origin são as principais empresas na corrida espacial comercial no mundo.
Na rede social X, também propriedade de Musk, o bilionário lamentou o ocorrido e desejou que a concorrente se recupere rapidamente.
"Lamento ver isso, espero que você se recupere rapidamente", comentou Elon Musk na publicação da empresa de Bezos.
Print da resposta de Elon Musk
Reprodução / X
A nave New Glenn, uma das mais poderosas do mundo, explodiu nesta quinta-feira (28) durante um teste na base de lançamentos da Blue Origin.
A explosão aconteceu por volta das 22h (horário de Brasília), quando o veículo espacial passava por um teste de ignição estática, quando ele não chega a levantar voo.
O experimento tinha como foco a futura missão NG-4, anunciada pela Blue Origin na quarta-feira (27). O plano é de que a era de que a nave enviasse ao espaço os primeiros 48 satélites da Amazon Leo, similares aos usados pela Starlink, de Elon Musk.
A Blue Origin disse ter registrado uma "anomalia" e que todos os funcionários estão em segurança. A empresa afirmou que fornecerá atualizações à medida que obter mais detalhes do incidente.
Jeff Bezos e Elon Musk
Reuters
Na quarta, o CEO da Blue Origin chegou a comemorar o anúncio da futura missão NG-4. "Missão empolgante chegando. Não poderia estar mais orgulhoso de apoiar a equipe Leo nesta missão", afirmou.
A New Glenn é a supernave projetada pela Blue Origin para fazer voos mais longos. Ela é a concorrente direta da Starship, nave que fez seu voo mais recente na última sexta-feira (22) e que é fabricada pela SpaceX, do bilionário Elon Musk.
A Blue Origin já fez três voos de teste com a New Glenn, todos sem tripulantes. O primeiro aconteceu no início de 2025, quando a nave transportou um protótipo de outra espaçonave criada para implantar satélites no espaço.
Blue Origin lança novo foguete New Glenn
O segundo teste aconteceu em novembro de 2025 e serviu para enviar sondas projetadas para chegar a Marte em 2027. A viagem foi encomendada pela Nasa e ficou marcada como a primeira missão comercial da nave da Blue Origin.
Blue Origin, de Jeff Bezos, lança supernave New Glenn
O terceiro experimento foi realizado em abril de 2026. Foi a primeira vez que a empresa reutilizou um propulsor, façanha que acirrou a rivalidade com a SpaceX.
Blue Origin reaproveita propulsor de New Glenn e enfrenta SpaceX
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) ainda não se posicionou sobre o acidente desta quinta-feira.
Na última quarta-feira (27), o órgão suspendeu temporariamente futuros lançamentos da Starship, da SpaceX, por conta de uma falha no retorno à atmosfera do propulsor usado na missão.
Explosão da nave New Glenn na base de lançamento da Blue Origin, em 28 de maio de 2026
Reprodução/NasaSpaceFlight
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Nave da Blue Origin explode durante teste na plataforma de lançamento
A nave New Glenn, uma das mais poderosas do mundo, explodiu nesta quinta-feira (28) durante um teste na base de lançamentos da Blue Origin, de Jeff Bezos.
A explosão aconteceu por volta das 22h (horário de Brasília), quando o veículo espacial passava por um teste de ignição estática, quando ele não chega a levantar voo.
O experimento tinha como foco a futura missão NG-4, anunciada pela Blue Origin na quarta-feira (27). O plano é de que a era de que a nave enviasse ao espaço os primeiros 48 satélites da Amazon Leo, similares aos usados pela Starlink, de Elon Musk.
A Blue Origin disse ter registrado uma "anomalia" e que todos os funcionários estão em segurança. A empresa afirmou que fornecerá atualizações à medida que obter mais detalhes do incidente.
Na quarta, o CEO da Blue Origin chegou a comemorar o anúncio da futura missão NG-4. "Missão empolgante chegando. Não poderia estar mais orgulhoso de apoiar a equipe Leo nesta missão", afirmou.
A New Glenn é a supernave projetada pela Blue Origin para fazer voos mais longos. Ela é a concorrente direta da Starship, nave que fez seu voo mais recente na última sexta-feira (22) e que é fabricada pela SpaceX, do bilionário Elon Musk.
A Blue Origin já fez três voos de teste com a New Glenn, todos sem tripulantes. O primeiro aconteceu no início de 2025, quando a nave transportou um protótipo de outra espaçonave criada para implantar satélites no espaço.
Blue Origin lança novo foguete New Glenn
O segundo teste aconteceu em novembro de 2025 e serviu para enviar sondas projetadas para chegar a Marte em 2027. A viagem foi encomendada pela Nasa e ficou marcada como a primeira missão comercial da nave da Blue Origin.
Blue Origin, de Jeff Bezos, lança supernave New Glenn
O terceiro experimento foi realizado em abril de 2026. Foi a primeira vez que a empresa reutilizou um propulsor, façanha que acirrou a rivalidade com a SpaceX.
Blue Origin reaproveita propulsor de New Glenn e enfrenta SpaceX
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) ainda não se posicionou sobre o acidente desta quinta-feira.
Na última quarta-feira (27), o órgão suspendeu temporariamente futuros lançamentos da Starship, da SpaceX, por conta de uma falha no retorno à atmosfera do propulsor usado na missão.
Explosão da nave New Glenn na base de lançamento da Blue Origin, em 28 de maio de 2026
Reprodução/NasaSpaceFlight
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Facebook, Instagram e WhatsApp, plataformas da Meta
Richard Drew/AP
A Meta lançou na quarta-feira (27) versões pagas do WhatsApp, do Instagram e do Facebook. Com os novos planos, assinantes terão recursos adicionais, como estatísticas detalhadas sobre visualizações de seus stories e interfaces personalizadas.
O WhatsApp Plus custará US$ 2,99 por mês (cerca de R$ 15), enquanto o Instagram Plus e o Facebook Plus custarão US$ 3,99 por mês cada um (R$ 20), segundo o site TechCrunch. Ainda não há informações sobre os países em que os planos pagos ficarão disponíveis.
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A versão paga do WhatsApp será focada em personalização e oferecerá figurinhas premium, toques personalizados e temas para o aplicativo.
No Instagram e no Facebook, assinantes terão acesso a análises mais detalhadas, estatísticas de visualizações de stories, maior alcance de público e opções de personalização de perfil.
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O anúncio foi feito pela diretora de produtos da Meta, Naomi Gleit. Segundo ela, a empresa está começando a liberar versões pagas com melhorias nos recursos que os usuários mais gostam.
"Você poderá nos ver testando assinaturas sob o nome Meta One. Embora ainda estejamos em fase de testes e aprendizado, acreditamos que, eventualmente, o Meta One será o local centralizado que reunirá suas assinaturas em todos os nossos aplicativos", afirmou.
A executiva também adiantou que há mais planos em andamento para empresas e criadores, além de produtos de inteligência artificial.
Em 2023, a Meta lançou na Europa versões pagas e sem anúncios do Facebook e do Instagram para cumprir a legislação da União Europeia sobre proteção de dados.
Agora, a decisão de liberar as assinaturas para mais países mostra o desejo da Meta em diversificar suas receitas para além da publicidade.
A empresa enfrenta pressão de investidores por conta de seus gastos com inteligência artificial. A projeção da companhia é de que os investimentos nesse setor, especialmente com data centers, alcancem de US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões (entre R$ 630 bilhões e R$ 730 bilhões).
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Robô humanoide entra em avião da Southwest Airlines
Reprodução/Rentbots
Um robô humanoide embarcou como passageiro em um voo da Southwest Airlines nos Estados Unidos, virou alvo de uma nova restrição criada pela companhia aérea e ainda “reclamou” da proibição depois da viagem. "Stewie", como é chamado, classificou a decisão como “conspiração”, segundo reportagem da CBS News.
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O robô pertence ao empresário Aaron Mehdizadeh, dono da empresa The Robot Studio. De acordo com a imprensa americana, no início de maio, ele decidiu levar o "amigo" de Las Vegas até Dallas comprando um assento extra para o humanoide, em vez de despachá-lo como carga.
Para conseguir embarcar, o robô precisou passar pelas exigências de segurança da companhia aérea e da agência responsável pela segurança nos transportes dos EUA. Ainda segundo a CBS, o equipamento recebeu uma bateria menor para poder passar pela inspeção.
Depois disso, o robô de cerca de 1 metro caminhou pelo aeroporto e entrou normalmente no avião, sentando-se em um assento na janela. A presença do humanoide chamou atenção no voo da Southwest Airlines.
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“Grande parte das pessoas ficou muito animada ao ver um robô voando”, disse Mehdizadeh à CBS News Texas.
Segundo o empresário, o robô também é capaz de falar por meio de uma voz programada.
“Eu tinha o assento perfeito na janela, nuvens parecendo algodão-doce, e todo mundo tirando selfies comigo”, disse o robô, segundo a emissora.
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Mudança nas regras
Imagem de avião da Southwest em Paris, na França
Eric Salard/Wikipedia
Dois dias depois da viagem, a Southwest Airlines divulgou um alerta interno criando uma nova restrição para robôs humanoides ou semelhantes a animais.
Segundo a imprensa americana, a companhia decidiu proibir esse tipo de equipamento tanto dentro da cabine quanto como bagagem despachada, independentemente do tamanho ou finalidade.
A Southwest afirmou à CBS News que a mudança foi feita para cumprir regras de segurança relacionadas a baterias de íons de lítio.
O empresário que viajou com Stewie, porém, discordou da justificativa. Segundo ele, a bateria usada no robô era parecida com a de um notebook.
“É uma conspiração total. Eles não querem que nós, robôs, vejamos as nuvens e descubramos o que realmente existe lá em cima”, afirmou o robô à CBS.
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Escritório da empresa de design de sites Wix.com em Tel Aviv, Israel
REUTERS/Baz Ratner
A empresa israelense de design de sites Wix.com anunciou nesta quinta-feira (28) a demissão de 20% dos funcionários, o equivalente a cerca de mil pessoas. A informação foi divulgada pelo CEO da companhia, Avishai Abrahami, em publicação na rede social X.
Segundo o executivo, a decisão foi motivada principalmente pela valorização do shekel, moeda de Israel, frente ao dólar, além do avanço acelerado da inteligência artificial (IA).
🔎 Nos últimos 12 meses, o shekel subiu quase 30% em relação à moeda americana e atingiu o maior nível em 33 anos, segundo informações da Reuters. Como a maior parte dos funcionários da Wix está em Israel e recebe em shekel, enquanto grande parte da receita da companhia vem em dólar, a empresa passou a enfrentar maior pressão sobre os custos.
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“Isso cria uma pressão estrutural sobre nossa capacidade de operar na escala atual", explicou Abrahami em mensagem enviada aos funcionários.
O CEO também afirmou que a rápida evolução da inteligência artificial está mudando a forma como empresas são construídas e administradas, exigindo estruturas mais enxutas.
“Estamos testemunhando a mudança mais significativa na forma como empresas são construídas desde a invenção das linguagens modernas de programação nos anos 1970”, disse. “Companhias que abraçarem essa mudança não apenas construirão mais rápido, mas criarão coisas que a geração anterior literalmente não poderia imaginar.”
Segundo Abrahami, a Wix precisará se tornar “mais rápida, enxuta e menos hierárquica”, com menos níveis entre a liderança e os funcionários.
“Menos camadas significam decisões mais rápidas, responsabilidades mais claras e menos distância entre quem define a direção da empresa e quem constrói os produtos”, afirmou. “Mas isso também significa um número menor de pessoas.”
Em outro trecho da mensagem, o executivo classificou a decisão como “uma das mais difíceis” que já tomou. Ele também agradeceu aos funcionários afetados pelos cortes e afirmou que a empresa tentará conduzir o processo “com sensibilidade, respeito e cuidado”.
No fim do primeiro trimestre, a Wix tinha 5.277 funcionários. As ações da empresa, listadas na Nasdaq, acumulam queda de quase 50% em 2026.
A associação de fabricantes de Israel afirmou que as demissões também refletem a falta de medidas do governo e do banco central para conter a valorização do shekel.
“A reação da economia à queda do dólar é mais rápida e severa do que imaginávamos”, disse a entidade em comunicado, segundo a Reuters.
Apesar dos cortes, o CEO afirmou que a mudança é necessária para manter a competitividade da companhia no longo prazo.
“Estamos escolhendo competir”, disse. “É uma mudança dolorosa, mas acredito sinceramente que não temos outra escolha — precisamos evoluir.”
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Logotipo do Google
EPA
Um funcionário do Google foi preso por supostamente usar seu acesso a informações internas da empresa para fazer apostas lucrativas com sucesso na plataforma de mercado de previsão Polymarket.
O procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York disse que indiciou o engenheiro do Google Michele Spagnuolo de violar as leis de abuso de informação privilegiada por causa de várias apostas que ele fez por meio da plataforma.
Embora Spagnuolo seja um cidadão italiano que vive na Suíça, ele foi detido na quarta-feira (27/05) e levado perante um juiz federal em Nova York.
Spagnuolo supostamente usou informações às quais teve acesso antecipado por meio de seu trabalho no Google, com sede nos EUA, para fazer apostas que lhe renderam ganhos de US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6 milhões).
Uma porta-voz do Google disse que a empresa está "colaborando com as autoridades em sua investigação" e que o funcionário foi colocado em licença.
A informação interna que teria sido utilizada consistia em material de marketing acessado "usando uma ferramenta disponível para todos os funcionários, mas usar essas informações confidenciais para fazer apostas é uma violação grave de nossas políticas", acrescentou.
Um porta-voz da Polymarket disse que a plataforma "trabalhou em estreita colaboração" com as autoridades na investigação.
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"A negociação em blockchain é transparente, rastreável, e agentes mal-intencionados deixam rastros", acrescentou o porta-voz.
Blockchain é uma espécie de registro digital aplicado às criptomoedas, que são a única forma de pagamento que a Polymarket aceita.
A Procuradoria dos EUA trabalhou com o Federal Bureau of Investigation (FBI, a polícia federal americana) na prisão de Spagnuolo. Ele foi solto mediante fiança de US$ 2,25 milhões, de acordo com a ABC News.
Embora Spagnuolo supostamente tenha usado o nome de usuário AlphaRaccoon na Polymarket e suas apostas tenham sido feitas com criptomoedas de várias contas, o FBI disse ter detectado suas contas ao encontrar uma que ele havia aberto com um documento de identificação italiano.
Spagnuolo não respondeu a um e-mail solicitando comentário.
De acordo com perfis online, ele trabalhou no Google por mais de 12 anos como engenheiro focado em segurança da informação.
Ele começou a usar a Polymarket em 2024 e, entre outubro e dezembro do ano passado, o gabinete do procurador dos EUA disse que Spagnuolo fez US$ 2,7 milhões em apostas relacionadas ao Google.
Ao usar informações internas, ele conseguiu obter mais de US$ 1 milhão em lucros com essas apostas, segundo o gabinete.
Os documentos do tribunal dizem que as apostas mais lucrativas supostamente feitas por Spagnuolo na Polymarket foram prever corretamente quem seria e quem não seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025.
Ele supostamente apostou contra nomes como Bianca Censori e o presidente Donald Trump, e escolheu o cantor D4vd como primeiro lugar quando a plataforma de apostas atribuía probabilidades quase nulas a esse resultado.
Os documentos judiciais dizem que, quando Spagnuolo fez essa aposta em novembro, ele sabia que D4vd havia se tornado a pessoa mais pesquisada no Google porque tinha acesso a informações que o gigante de buscas havia coletado antes de serem divulgadas ao público.
D4vd está atualmente preso por supostamente ter assassinado uma adolescente.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).
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A 1ª grande vitória do balconista de farmácia que lançou movimento pelo fim da escala 6x1 com desabafo no TikTok
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Vídeo em que Rick Azevedo denunciava a exaustão da escala 6x1 saiu do TikTok e virou pauta política nacional
BBC
"Quando é que nós, da classe trabalhadora, iremos fazer uma revolução nesse país relacionada à escala 6x1? Gente, é uma escravidão moderna. Moderna, não. Ultrapassada."
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Quando publicou este desabafo em suas redes sociais, o então balconista Rick Azevedo não imaginava que ele seria o pontapé de uma nova discussão nacional sobre a redução da jornada de trabalho no país.
Nesta quarta-feira (27/5), a Câmara dos Deputados aprovou, por 461 votos a favor e apenas 19 contra, o projeto que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e substitui o modelo 6x1 por cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado.
No vídeo publicado no TikTok em setembro de 2023, Azevedo, que trabalhava em farmácia no Rio, se mostrava indignado com a falta de tempo para lazer, família e estudos por conta das 44 horas semanais de expediente, com apenas uma folga semanal.
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"Eu, que não tenho filho, que não tenho nada, que sou sozinho… Não dá para fazer as coisas. Imagina quem tem filho, quem tem marido, quem tem casa para cuidar", dizia para a câmera.
"A pessoa tem que se doar para a empresa seis dias na semana e ter só um dia para folgar. Isso para ganhar salário mínimo. Gente, não dá."
O vídeo viralizou. Com o interesse crescendo por conta do desabafo, o jovem nascido em Dianópolis, no Tocantins, começou a fazer mais publicações sobre o tema nas redes sociais.
Uma petição por mudanças na escala ultrapassou 3 milhões de assinaturas. Depois, junto com outros trabalhadores, ele fundou o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
Um ano depois da publicação do desabafo, aos 30 anos, Azevedo foi eleito como o vereador mais votado do PSOL do Rio de Janeiro, com mais de 29 mil votos.
"Quando eu comecei lá atrás, como um balconista de farmácia que só queria desabafar, nos primeiros momentos, achei que realmente não iria avançar a ponto de a gente chegar até aqui", disse em entrevista à BBC News Brasil em fevereiro deste ano.
40 horas semanais, dois dias de folga, até 14 meses de transição: como é o texto que acaba com a escala 6x1
Da internet ao plenário
A pauta rapidamente chamou a atenção de partidos e movimentos sociais de esquerda, que já vinham tentando atualizar o tradicional discurso sindical com a discussão em torno dos direitos trabalhistas de entregadores e motoristas de aplicativo.
Em Brasília, a pauta ganhou tração quando Erika Hilton decidiu transformá-la em proposta legislativa. Em novembro de 2024, a deputada federal do PSOL-SP assumiu a articulação política do tema e apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) inspirada nas reivindicações do movimento VAT.
O texto inicial era mais ambicioso do que a proposta aprovada agora: previa uma jornada semanal de 36 horas, sem redução salarial, abrindo espaço para um modelo de quatro dias de trabalho.
Em poucas semanas, a proposta superou o número mínimo de assinaturas necessárias para tramitar — incluindo apoios de parlamentares de centro e da direita. "Essa não é uma discussão de campo ideológico, mas de país", afirmou a deputada à época.
O vereador Rick Azevedo e a deputada Erika Hilton, principal articuladora da proposta na Câmara
Divulgação PSOL
Com grande apelo popular, a proposta sofreu forte oposição do empresariado, especialmente do comércio e serviços.
O setor argumenta que a proposta pode ser prejudicial à economia do país sem investimentos anteriores em educação e aumento da produtividade da economia brasileira, além de aumentar custos trabalhistas e exigir mais contratações.
Em novembro de 2024, por exemplo, o CEO da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) afirmou à BBC News Brasil que a proposta de Erika Hilton no Congresso havia pego o empresariado de surpresa.
O executivo Sérgio Mena disse que a proposta tinha caráter "populista" e inviabilizaria negócios do setor. "É um problema bem sério para o varejo e eu não sei como fechar essa conta."
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%.
Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afirma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%.
A estimativa da CNC diz que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%. Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média.
Já Rick Azevedo afirma que o empresariado quer "causar pânico".
"Se eu estivesse falando para você aqui agora, 'vamos acabar com a escravidão no país', os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura para acabar com a escravidão, que o país ia quebrar", disse na entrevista à BBC News Brasil.
"O 13º [salário], a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa. Licença-maternidade também. Direitos para empregadas domésticas? 'Não podemos. O país vai quebrar'."
Governo Lula: da cautela à campanha eleitoral
Apesar da popularidade da pauta, o governo Lula inicialmente evitou assumir protagonismo. Rick Azevedo chegou a criticar publicamente a falta de apoio mais enfático do Planalto e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), argumentando que o governo "perdia tempo" ao não liderar a discussão.
"O governo já deveria ter se posicionado de forma incisiva", disse em entrevista ao UOL em março de 2025.
A cautela do petista em relação ao tema era porque ainda não havia dialogado com o empresariado sobre o assunto.
Mas a virada no discurso do governo aconteceu em 2025. No 1º de Maio daquele ano, o petista sinalizou pela primeira vez apoio político à pauta.
"Nós vamos aprofundar o debate sobre a redução da jornada de trabalho vigente no país, em que o trabalhador e a trabalhadora passam seis dias no serviço e têm apenas um dia de descanso", disse em pronunciamento na TV.
"Está na hora do Brasil dar esse passo."
Lula acenou apoio político à proposta no Dia do Trabalhador, em maio de 2025
Ricardo Stuckert/PR
Em abril deste ano, Lula encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei com a proposta. O governo passou a defender uma versão mais moderada do projeto: jornada semanal reduzida de 44 para 40 horas, garantia de dois dias de descanso (modelo 5x2), proibição de redução salarial e transição gradual para empresas.
A pauta, inclusive, se tornou elemento central da pré-campanha de Lula para recuperar terreno nas pesquisas de intenção de voto — o seu principal adversário no pleito eleitoral, o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL), chegou a ultrapassá-lo em algumas pesquisas.
Atualmente, a estimativa de intenção de voto para o presidente Lula é de 40% no primeiro turno, contra 33% para Flávio Bolsonaro, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Veja aqui as estimativas completas.
Lula diz que fim da escala 6x1 é 'conquista civilizatória', agradece Motta e promete trabalhar pela aprovação no Senado Federal
A proposta do fim da escala 6x1 se tornou bandeira eleitoral de Lula
Ricardo Stuckert/PR
Em maio, a gestão do petista reforçou a campanha. Sob o slogan "mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito", o governo federal lançou campanha publicitária em televisão, rádio, jornais, plataformas digitais e até na imprensa internacional.
O jornal britânico Financial Times publicou que "o ex-sindicalista Lula" estaria buscando "se reconectar com sua base trabalhadora" com a proposta.
A proposta enfrentou resistência no Congresso. A oposição prometeu obstruir a proposta e chegou a defender uma transição de dez anos para a mudança, apresentando uma emenda à PEC. A proposta foi assinada por 176 deputados, principalmente do PL, MDB, PP, PSD, Republicanos e União Brasil.
No entanto, a bancada do PL deu uma guinada em sua estratégia na véspera da votação, em meio ao forte apelo eleitoral da proposta.
"Essa lei, uma vez promulgada, tem que valer imediatamente. Por que protelar dois meses para começar devagar? Isso é hipocrisia com o trabalhador", disse o líder do PL, o deputado Sóstesnes Cavalcante (PL-RJ).
Lula conseguiu aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 com um período curto de transição, 60 dias depois da promulgação da alteração constitucional, o que pode trazer impactos para o trabalhador ainda neste ano eleitoral.
A aprovação aconteceu com acordo selado nesta segunda-feira (25/5) entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O compromisso para uma transição rápida foi uma vitória do Palácio do Planalto, que espera colher dividendos eleitorais com o fim da escala 6x1.
Agora a PEC será avaliada pelo Senado, onde não está claro se avançará com a mesma facilidade. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não manifestou compromisso em aprovar a mudança, como fez Motta.
Para uma proposta de emenda à Constituição entrar em vigor, deve ser aprovada com texto idêntico nas duas casas. Qualquer mudança no Senado, portanto, retornaria à proposta à Câmara.
O governo aposta no apelo popular da proposta para pressionar os senadores — dois terços das vagas do Senado estarão em disputa em outubro.
Com reportagem de Mariana Schreiber
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